quarta-feira, 30 de abril de 2008

Brasil é elevado a grau de investimento; Bovespa dispara

Agência Estado

SÃO PAULO - A principal agência de classificação de risco Standard & Poor's elevou a classificação de risco do Brasil para investment grade . Isso significa que os títulos da dívida do Brasil agora são considerados com baixo risco de crédito.

A decisão ofuscou a decisão de corte de juros nos Estados Unidos para o mercado financeiro doméstico. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) disparou depois da notícia, recuperando rapidamente 65 mil pontos e já operando aos 66 mil pontos. Dólar e juros despencam.

Entre outras coisas, a S&P elevou o rating do Brasil para "BBB-" (investment grade), elevou o rating da dívida/moeda estrangeira de "BB+" para "BBB-", o rating dívida em moeda local de longo prazo de BBB p/BBB+; e manteve a perspectiva dos ratings de longo prazo do Brasil em estável.

Por volta das 16 horas, o Ibovespa operava em alta de 3,68%, aos 66.113 pontos, depois de atingir a máxima de 3,77%, aos 66.234 pontos. No mercado de câmbio, o dólar no balcão passou a renovar as mínimas e, há instantes, estava no piso de R$ 1,6650, baixa de 2,40%; e na roda da BM&F recuava 1,06%, a R$ 1,686.

Já perto do término da sessão na BM&F, o mercado de juros, ampliou fortemente a queda após a notícia de que a S&P elevou a classificação do Brasil à investment grade. O DI janeiro de 2010, que oscilava a 13,74% antes do anúncio, bateu a mínima de 13,65%, de 13,85% ontem.

A equipe do ministro da Fazenda recebeu a informação do investment grade pela S&P um pouco antes da divulgação oficial da agência internacional de classificação de risco. A notícia foi comemorada porque o upgrade para grau de investimento veio mais rápido. A expectativa maior era de que o Brasil receberia o grau de investimento no final do primeiro semestre.

'Maturidade'


De acordo com a analista de crédito da S&P, Lisa Schineller, o Brasil é o 14º país com dívida em moeda estrangeira a receber classificação "grau de investimento". "A elevação reflete a maturidade das instituições e da estrutura política do Brasil, como evidenciado pela melhora fiscal e da dívida externa e também pelo avanço na tendência de perspectivas de crescimento", diz a analista.

"A dívida líquida geral do governo continua maior que a de muitos países com rating "BBB", mas é bastante previsível que o histórico de pragmatismo fiscal e de polícias de gerenciamento da dívida mitigam este risco", acrescentou Lisa.

A S&P diz ainda que a dívida externa do País, em ativos líquidos no exterior, caiu drasticamente - a dívida líquida é projetada em 3% dos recibos de conta corrente (CAR) em 2008, do excesso de 100% do CAR em 2004. Embora alguma deterioração seja provável devido à volta do déficit em conta corrente, esperamos que o aumento da dívida externa seja modesto.

Lisa explicou que a pragmática política macroeconômica fortaleceu os fundamentos para um crescimento real entre 4% e 4,5% em 2008. Um amplo mercado consumidor, a ampliação dos mercados de capitais e o crescente nível de formalização sustentam melhoras nas perspectivas de investimento.

Apesar das apertadas condições globais de crédito, a perspectiva de crescimento maduro do Brasil continua atraindo investimento estrangeiro direto (IED) diverso em termos de amplitude e destino. O fluxo de IED acumulado até abril é estimado em US$ 12,4 bilhões e caminha para bater o recorde de US$ 34,6 bilhões do ano passado. Espera-se que o IED cubra o atual déficit em conta corrente, estimado em US$ 20 bilhões para 2008.


Inflação


A diretora da S&P destaca ainda que a inflação no País subiu para 4,7% em março não só por causa das pressões globais dos preços de energia e alimentos, mas também por causa da demanda doméstica robusta. "Em contraste com pressões inflacionárias incontroladas em outros soberanos com ratings mais baixos, o Banco Central do Brasil iniciou um ciclo de aperto em 16 de abril de 2008, para garantir que os benefícios duramente conquistados associados com a baixa inflação serão mantidos", afirmou a analista em comunicado.

A política fiscal e seus indicadores são as principais fragilidades de crédito do Brasil, prossegue o comunicado da S&P. A dívida líquida geral do governo ficou em 47% do PIB (incluindo 7% do PIB nas operações de recompra do banco central) no fim de 2007, acima dos níveis para ratings de crédito semelhantes e acima de 20% do PIB para a média dos ratings BBB da agência.

Os resultados fiscais até março de 2008 sugerem que o governo está posicionado para acomodar a falta da receita da CPMF e gerou um superávit primário do setor público não financeiro de 3,8% do PIB - consistente com o histórico de 10 anos de cumprimento das metas primárias, diz o comunicado.

Lisa Schineller, analista de crédito soberano da agência, disse no comunicado que a perspectiva estável equilibra o elevado nível da dívida do governo do Brasil contra o amadurecimento das perspectivas econômicas e baixo endividamento líquido externo e que a melhora da qualidade de crédito deve se seguir a partir de um declínio mais pronunciado da dívida do governo e dos desequilíbrios fiscais.

"Passos de política para reduzir o nível do, e a rigidez no, atual gasto do governo, ou ambos, devem fortalecer a posição fiscal do Brasil e facilitar um declínio maior na taxa de juro, com implicações positivas para o investimento e crescimento e um declínio mais rápido nos encargos da dívida do País", disse Schineller. "A passagem da reforma tributária ou de seguridade social, que a S&P não espera dentro do horizonte de rating, seria um choque positivo para a confiança e contribuiria para fortalecer a qualidade de crédito".

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Petrobras faz desdobramento e reduz preço de ações pela metade

Vinícius Pinheiro - AE

Investir em papéis da Petrobras ficou "mais barato" a partir de hoje, data em que passa a valer o desdobramento de ações da estatal. A operação consiste em multiplicar o total de papéis em circulação no mercado, sem aumento de capital. No caso da Petrobras, o número de ações da companhia irá dobrar e, deste modo, o preço cairá pela metade. Os acionistas da empresa não sofreram perdas, já que receberam um novo papel para cada ação que possuíam na última sexta-feira.

O principal objetivo do desdobramento é facilitar o acesso do pequeno investidor à companhia. Hoje existem duas maneiras de se investir na Bolsa: comprando o lote padrão, composto por 100 ações, ou ingressando no mercado fracionário, no qual o investidor pode adquirir até 1 ação da companhia. Porém, como o fracionário possui menor volume de negócios, os preços costumam ser menos vantajosos.

Pela cotação de fechamento de sexta-feira, a R$ 84,30, o interessado em aplicar em Petrobras precisaria desembolsar R$ 8.430,00 para obter o lote integral. Se o desdobramento já estivesse valendo, esse valor cairia para R$ 4.160,00.

Além do maior acesso, o menor preço da ação proporciona um efeito “psicológico”, já que muitos investidores, imaginando que a procura pelos papéis aumentará, acabam comprando a ação, o que leva a uma valorização extra.

A última operação de desdobramento feita pela Petrobras ocorreu em setembro de 2005. Desde então, o número de acionistas da empresa aumentou em 88 mil. No total, a Petrobras possui 296 mil acionistas, sem considerar os cotistas de fundos de investimento que aplicam em papéis da estatal.

sábado, 26 de abril de 2008

Os jovens preferem os clubes

Yolanda Fordelone - AE

Um dos problemas que o jovem se depara quando resolve investir em ações é a necessidade de uma boa quantia de dinheiro para entrar na Bolsa. O pouco conhecimento é outro fator que o afasta desse mercado. Uma estratégia para esse público é se juntar aos amigos, conseguir orientação de uma corretora e aplicar por meio de clubes de investimento. Se bem gerido, o clube pode oferecer rendimentos maiores do que a poupança e fundos.

Ao invés de juntar R$ 15 mil cada um, os participantes do Fórum dos Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) juntaram a quantia em conjunto e resolveram fundar seu próprio clube, em 2004. “Começamos com 20 cotistas e hoje temos 34. O patrimônio evoluiu para cerca de R$ 334 mil”, diz o membro do clube, Eduardo Strang.

O Fórum promove debates entre jovens empresários uma vez por mês. Não há limite de idade para participar, mas, segundo um levantamento do órgão, 42% dos freqüentadores têm até 30 anos. Amadeu Zamboni Neto, membro e responsável pela escolha dos papéis da carteira do clube, afirma que o cotista mais novo tem 24 anos.

“Quando você aplica em um fundo de ações de um banco não conhece o gestor. No clube você sabe quem aplica seu dinheiro”, compara Zamboni. O investimento é visto como uma poupança de longo prazo. “Procuro ser conservador na escolha dos papéis. A maioria das ações faz parte do Ibovespa. Não invisto em papéis arriscados. A ação menos conhecida é a da Dimed, uma rede de farmácias do Sul”, diz.

Os cotistas mais interessados recebem diariamente o relatório da corretora Solidez sobre o resultado da carteira. Para os que não acompanham a evolução de perto, Zamboni faz um panorama do mês em relatórios periódicos.

Nas faculdades

Se você não quer fazer parte de uma Associação para investir em um clube, não se preocupe: as próprias faculdades estão montando clubes de investimento. “Não precisa ter muito recurso, pois em conjunto acaba formando um bom valor”, diz o sócio-diretor da corretora Geração Futuro, Wagner Salaverry.

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) resolveu montar um clube em março do ano passado, com três cotistas e R$ 40 mil. Atualmente, já conta com 54 membros e quase R$ 200 mil. Nos últimos 12 meses, o clube acumula alta de quase 37%. O principal índice de ações da Bolsa, o Ibovespa, valorizou-se aproximadamente 32% no mesmo período.

Após juntar um grupo de pessoas – no mínimo três – o próximo passo do aluno é procurar uma corretora, que poderá orientar na formação do clube, em questões como decisão do valor das cotas e documentação necessária.

No caso do Centro Universitário Feevale, que fica em Nova Hamburgo – Rio Grande do Sul, o interesse surgiu em uma visita à Bovespa, em 2003. “Quando voltamos começamos a discutir a possibilidade e, em 2004, criamos o clube”, lembra o professor e coordenador do clube Marcelo Ayub. A estratégia também é aplicar no médio e longo prazo.

O investimento virou a sensação da pequena cidade. “Pais dos alunos vêm nos procurar para investir, mas somente pessoas da comunidade acadêmica podem se tornar membros”, afirma o professor. “Em 2007, atingimos o limite máximo de membros em um clube [150 pessoas]. Por haver mais pessoas da faculdade com intenção de investir, solicitamos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorização para nos tornarmos um fundo”, afirma. Em outubro de 2007, o clube se transformou em fundo. O clube, que havia começado com pouco mais de R$ 4 mil e três cotistas, se transformou em um fundo com R$ 3,6 milhões de patrimônio e mais de 300 membros. O investimento mínimo é de R$ 100.

Segundo o diretor da Geração Futuro, o aluno pode continuar no clube ao terminar a faculdade, mas, se resgatar sua cota, não pode entrar mais. A corretora não fez um levantamento de quantos jovens que saem do clube tornaram-se seus clientes. Salaverry ressalta, no entanto, que esse investidor dificilmente retorna para investimentos conservadores, como poupança

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Fundos long short: da promessa à decepção

Vinícius Pinheiro - AE

Há alguns anos, a indústria de fundos de investimento viveu uma febre que atende pelo nome de “long short”, ou “comprado e vendido”, em uma tradução livre do jargão de mercado. Trata-se de uma categoria de fundos que aplicam em diversos mercados e que prometem ser imunes a crises.

Em pouco tempo, houve um intenso fluxo de recursos para esses fundos, a ponto de a maior parte deles não aceitar novos aplicadores. Atualmente, a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), que auto-regula o setor, registra 91 produtos desse tipo.

Depois de um excelente começo, o desempenho dos long short começou a minguar em conseqüência do agravamento da crise nos mercados financeiros internacionais. O resultado frustrou os investidores, que interpretaram as perdas como um sinal de que os fundos não cumpriram o prometido.

No acumulado deste ano até o dia 15 de abril, os long short registraram resgates de R$ 2,5 bilhões, o equivalente a quase 25% do patrimônio líquido – atualmente de R$ 7 bilhões. No período, esses fundos perderam, em média, 0,56% e, nos últimos 12 meses, o rendimento é de apenas 6,44%. Se o mesmo investidor tivesse aplicado o dinheiro em um fundo DI, considerado a opção mais conservadora de investimento, teria conseguido uma rentabilidade de 11% em 12 meses.

Como funcionam os long short

Existem várias estratégias possíveis para os fundos long short, mas o princípio de todos é basicamente o mesmo: ao contrário do que muitos acreditam, nem todas as informações disponíveis sobre uma ação ou um ativo financeiro estão refletidas nos preços. Diante dessa premissa, o gestor de recursos tenta identificar o que os outros investidores não viram e ganhar dinheiro a partir dessas distorções.

Na prática mais conhecida, o gestor compra uma ação que ele acha que vai subir e vende outra que ele acha que vai cair, ou apresentar um desempenho pior do que a primeira, em um determinado período. Assim, mesmo que os dois papéis caiam – caso haja, por exemplo, uma crise no mercado – o fundo registrará ganhos, desde que a aposta do gestor se mostre correta e a queda da ação que ele comprou for menor do que a que ele vendeu.

O mais comum é que as apostas se concentrem em ações de um mesmo setor ou entre papéis ordinários (ON) e preferenciais (PN) de uma mesma empresa. Mas também é possível que o gestor aposte em um alta de preço a longo prazo e compre ações – o mercado chama essa estratégia de “comprada” ou “long” – e, ao mesmo tempo, aposte na queda de preços – “vendido” ou “short” – em contratos de Ibovespa futuro, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Para ser considerado um “long short puro”, a posição do fundo precisa ser neutra, ou seja, o valor comprado precisa ser exatamente o mesmo que o vendido.

O que deu errado

Na análise do diretor da empresa de gestão de recursos Modal Asset Management, Alexandre Póvoa, o primeiro erro dos long short foi justamente não se manterem neutros. Ou seja, a maior parte dos gestores optou por adotar uma posição comprada maior do que a vendida, ou vice-versa. “Desta forma, os fundos ficaram tão sujeitos à oscilação de mercado quanto qualquer fundo considerado arriscado”, diz.

A segunda razão para as perdas foi um erro na avaliação do cenário, logo no início da crise, em agosto do ano passado. Com a possibilidade de desaceleração da economia mundial, esperava-se que as ações de empresas como Petrobras e Vale – produtoras de matérias-primas (commodities) seriam as mais atingidas. Enquanto isso, as companhias com menor negociação na Bolsa, mais ligadas aos fundamentos da economia interna, apresentariam melhor resultado.

Pensando nisso, muitos fundos long short compraram Vale e Petrobras e venderam Ibovespa futuro, já que essas ações possuem forte peso no índice da bolsa brasileira. “Aconteceu exatamente contrário, os dois papéis praticamente dobraram de valor enquanto as ações menos negociadas registraram queda”, lembra Póvoa. Esse erro pode ser explicado pelo comportamento do investidor estrangeiro, que fugiu das ações com menor liquidez por conta da crise nos mercados, explica o gestor da Arsenal Investimentos, Leopoldo Barreto Junior. “Outra aposta de compra dos long short foram as empresas que fizeram ofertas de ações (IPOs) recentemente, que também acabaram afetadas pela saída dos estrangeiros”, completa.

O mau resultado dos long short acabou criando um círculo vicioso, já que os saques solicitados pelos investidores obrigaram os gestores a venderem os papéis, o que levou a novas perdas.

Perspectivas

Os especialistas avaliam ser difícil prever quando os fundos voltarão a apresentar bom desempenho. “Se antes havia fila para investir em long short e poucas oportunidades de mercado, com a queda das ações as oportunidades se multiplicaram, mas agora os fundos só recebem ordens de resgate”, diz Barreto. Ele também atribui a decepção com os long short ao comportamento do investidor, atraído apenas pelo desempenho passado da aplicação, mas sem conhecer a natureza do investimento. O gestor da Arsenal recomenda atualmente uma pequena alocação nesse tipo de fundo, de no máximo 10% do capital para quem tem prazo de investimento de dois anos, por conta da incerteza que ainda paira nos mercados. Ou seja, quem aplicou uma parcela maior da poupança neste tipo de fundo deveria, segundo ele, rever o investimento.

Já o diretor da Modal Asset sugere ao investidor que pretende aplicar em long short pelo menos três passos: 1) conhecer melhor o produto e saber se o fundo adota uma posição neutra; 2) obter informações sobre o gestor e pesquisar bem os fundos disponíveis no mercado; 3) ter paciência, pois em muitos casos a estratégia do gestor leva tempo para se concretizar.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lucro da Vale cai 55,8% no primeiro trimestre, para R$ 2,253 bilhões

Valor OnlineO Globo Online

RIO - A Vale fechou o primeiro trimestre do ano com lucro líquido de R$ 2,253 bilhões, uma queda de 55,8% em relação aos R$ 5,095 bilhões entre janeiro e março de 2007 e um recuo de 48,9% frente aos R$ 4,411 bilhões do quarto trimestre do ano passado.

Alguns analistas esperavam um recuo frente a igual período de 2007, mas não nessa proporção. Pelas projeções da Brascan Corretora, o lucro líquido do primeiro trimestre deveria ser de R$ 4,48 bilhões.

Segundo nota da companhia, o resultado menor foi puxado por queda de R$ 2,755 bilhões no lucro operacional em relação ao primeiro trimestre de 2007, devido a preços menores principalmente do níquel e do alumínio no período de janeiro a março de 2008. Além disso, a empresa ressalta as perdas de R$ 2,056 bilhões no resultado financeiro (ante perdas de R$ 208 milhões no primeiro trimestre de 2007).

A companhia informou que as perdas financeiras aconteceram em função das variações monetárias e cambiais, que geraram perdas de R$ 622 milhões, além do prejuízo com derivativos, que atingiram R$ 548 milhões no trimestre.

"A forte volatilidade dos preços dos metais durante o primeiro trimestre do ano, resultou em perdas nas operações com derivativos destinadas à proteção do fluxo de caixa", explicou a empresa em comunicado aos investidores.

A receita bruta da mineradora atingiu R$ 14,549 bilhões entre janeiro e março, uma queda de 12,5% em relação ao registrado no primeiro trimestre do ano passado. A geração de caixa, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi de R$ 6,638 bilhões, um resultado R$ 2,298 bilhões abaixo (-25%) do primeiro trimestre de 2007. Já o lucro operacional medido pelo Ebit (lucro antes de juros e impostos) recuou 34,1%, para R$ 5,325 bilhões.

Por outro lado, as exportações cresceram 23,5%, chegando a US$ 3,014 bilhões em relação ao início do ano passado. Os embarques de alumínio, alumina, cobalto e metais do grupo de platina tiveram resultados recordes no início deste ano.

A Vale ainda bateu recorde de vendas em minério de ferro e pelotas, com crescimento de 14,2%. O minério de ferro foi o produto que obteve a maior participação individual na receita da companhia, de R$ 5,2 bilhões.

A companhia ainda informou que projeta desaceleração da economia mundial devido ao choque financeiro global que teve origem nos problemas com hipotecas de alto risco nos EUA.

As ações PN da Vale que já tinham terminado o pregão convencional em queda de 2,8%, ampliaram as perdas no after market (negociação após o pregão normal) da Bovespa para 4,11%, a R$ 50,53. Já as ON terminaram as negociações do after market com baixa de 4,39%, a R$ 61,95.

Legrand anuncia compra da brasileira HDL

SÃO PAULO - A francesa Legrand anunciou hoje a compra da brasileira HDL, que oferece soluções em interfonia e fechaduras elétricas. A operação, cujos termos financeiros não foram revelados, está sujeita à aprovação das autoridades reguladoras.

A iniciativa faz parte da estratégia da Legrand de aquisições focadas e marca a terceira transação da empresa francesa neste ano.

Como explicou em nota, a compra contribuiu para a aceleração do desenvolvimento da companhia francesa em mercados emergentes, que responderam por 25% das vendas líquidas consolidadas da Legrand em 2007.

Com 300 funcionários e dois locais de produção - um em Manaus e outro em Itu, a HDL registrou expansão de 26% nas vendas no ano passado no confronto com um calendário atrás, para 20 milhões de euros, destacou a empresa francesa no documento disponível em sua página eletrônica.

(Juliana Cardoso | Valor Online)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Lucro da Suzano Papel e Celulose cresce 21%

SÃO PAULO - A Suzano Papel e Celulose encerrou o primeiro trimestre de 2008 com lucro líquido de R$ 128,6 milhões, o que representa um crescimento de 21% em relação ao mesmo período do exercício anterior, quando o ganho líquido somou R$ 106,14 milhões. A receita líquida da empresa marcou R$ 969,67 milhões, com alta de 19,8% sobre os três primeiros meses de 2007.

A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) ficou em R$ 341,16 milhões, com elevação de 24,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2007. A margem Ebitda, relação entre a geração de caixa e a receita líquida, foi de 35,2%, contra 33,9% registrados um ano antes.

(Valor Online)

SÃO PAULO - A Natura encerrou o primeiro trimestre deste ano com lucro líquido consolidado de R$ 79 milhões, o que representa uma ligeira queda de 1,7

O Globo

SÃO PAULO - A Polícia Federal (PF) em São Paulo, prendeu nesta quarta-feira pela manhã, no Rio, um alto funcionário do Banco Credit Suisse, uma das três maiores instituições financeiras privadas do mundo. A prisão do funcionário C.P.W. (cujo nome inteiro não foi divulgado pela PF), aconteceu em continuidade à "Operação Suiça" deflagrada em 2006, na qual foram realizadas buscas e apreensões no escritório de representações do Banco Credit Suisse e nas residências de funcionários.

A Polícia Federal prendeu C.P.W após acompanhá-lo por tempo integral desde sua estada em São Paulo, quando permaneceu por cerca de 10 dias, até seu retorno ao Rio de Janeiro, quando foi preso.
Captação irregular

À época em que foi deflagrada a "Operação Suiça", a instituição financeira foi investigada por funcionar no Brasil sem autorização do Bacen, bem como por enviar recursos de seus clientes ao exterior utilizando-se de doleiros. Seus funcionários foram denunciados por crimes financeiros e lavagem de dinheiro. O escritório de representações foi encerrado, porém a instituição financeira continuou exercendo as atividades privativas de instituição financeira sem autorização do Bacen, enviando funcionários diretamente da Suiça para ter contato com os clientes no Brasil.

A maneira de atuar do banco, após as sucessivas operações desencadeadas pela Polícia Federal, sofreu profundas mudanças. Eles passaram a utilizar os chamados "officers" ou "flyers", papel que estava sendo desempenhado pelo funcionário que foi preso, que periodicamente vinha ao Brasil com a finalidade de captar novos clientes para abertura de contas e investimentos em seus bancos, fazendo ainda contato com clientes antigos, para a administração e movimentação de suas contas.
Clientes investigados

Os diversos clientes brasileiros que possuem contas numeradas no Credit Suisse, foram identificados e sofrerão investigações das autoridades brasileiras. Nos últimos anos, a Polícia Federal deflagrou operações contra a atuação de Bancos estrangeiros (Credit Suisse, UBS, Clariden e AIG) que atuavam em território nacional sem autorização das autoridades e contra doleiros utilizados no esquema. Tais pperações foram chamadas Suiça, Kaspar I e Kaspar II.

Lucro da Natura cai 1,7% no primeiro trimestre

SÃO PAULO - A Natura encerrou o primeiro trimestre deste ano com lucro líquido consolidado de R$ 79 milhões, o que representa uma ligeira queda de 1,7% em relação ao mesmo período de 2007, quando o ganho somou R$ 80,3 milhões. O aprofundamento do prejuízo operacional das operações internacionais da companhia, que avançou 96,4%, para R$ 16,5 milhões, foi o principal responsável pelo lucro menor no trimestre.

Segundo o vice-presidente financeiro, David Uba, a expansão das operações no México, Colômbia e Venezuela, além do planejamento para a entrada no mercado norte-americano têm exigido grandes investimentos, o que acabou prejudicando o lucro consolidado do trimestre.

Esses são os três países da América Latina onde a Natura tem operação mais recente e que exigem maiores investimentos na atração de consultoras e em infra-estrutura de distribuição. Para esses países, a Natura acredita que a operação só passe a ser lucrativa entre quatro e cinco anos.

A receita líquida consolidada da empresa registrou alta de 10,82% no primeiro trimestre, para R$ 668 milhões. O custo dos produtos vendidos, no entanto, avançou mais, 14,3 %, fechando o trimestre em R$ 226,4 milhões.

Com isso, a geração de caixa medida pelo Lajida (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) subiu 5,8 %, para R$ 131,6 milhões. A margem Lajida, que marca a relação entre geração de caixa e receita líquida, ficou em 19,7%, com recuo de 0,9 ponto percentual.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

Bovespa vê empresas de TI perderem R$ 1bi

SÃO PAULO - Ações de empresas do setor informática perderam este ano R$ 1 bilhão em valor de mercado.

Estas empresas são pressionadas por um cenário de forte oscilação da Bovespa, que reduziu o apetite dos investidores por ativos menos líquidos.

Apesar de apresentarem resultados consistentes e estarem inseridas em um momento de crescimento da economia, Datasul e Totvs, produtoras de software empresarial; IdeiasNet, holding de investimento em empresas de tecnologia; e UOL, provedor de Internet; acumularam perdas de 1,043 bilhão de reais até 14 de abril, de acordo com dados da Economática.

E como se não bastasse, ações da Positivo Informática, maior fabricante de computadores do país, registraram perda de cerca de 50 por cento no mesmo período, e as ações da Bematech, fabricante de soluções de automação comercial, recuaram cerca de 30 por cento.

Para a analista Luciana Leocádio, da Ativa Corretora, os bons resultados não impedem que a falta de liquidez penalize os papéis dessas companhias. "O investidor estrangeiro não se sente confortável com o risco da baixa liquidez", disse a analista à Reuters.

A opinião é compartilhada por outro analista que prefere não ter seu nome revelado. Para ele, "é preciso ter em mente que a aversão maior ao risco por parte do mercado afeta principalmente as empresas de baixa liquidez".

A Datasul, especializada em software para grandes empresas, reconhece que enfrenta a desvantagem da baixa liquidez, segundo a diretora de relações com investidores (RI), Monica Carvalho Molina. Mas, na sua opinião, não se trata apenas disso.

"O mercado sempre nos penalizou pela baixa liquidez, mas hoje já existem fundos que só investem em small caps", disse a diretora. Para ela, entretanto, o que existe "é um grande desconhecimento do que seja TI", afirmou, referindo-se à sigla de tecnologia da informação.

"Para o investidor estrangeiro, TI está associado à Índia e aos processos de terceirização onde a inteligência fica no cliente" e não nas companhias de tecnologia, segundo Monica.

Por isso, a diretoria de RI da companhia tem procurado fazer encontros com investidores e analistas para tentar "tangibilizar o que é o mundo de software, algo ainda intangível para muitos deles", explicou.

ESTRATÉGIA

A Datasul, listada na Bovespa desde junho de 2006, também promove uma série de ações com as quais espera mitigar o efeito da baixa liquidez, de acordo com Monica. Uma delas foi a contratação de uma corretora para atuar como formadora de mercado para as ações, que todos os dias se obriga a apresentar ofertas de compra e venda. Outra atitude foi iniciar um programa de recompra de ações. A estratégia ainda envolve se aproximar de investidores "que trarão mais benefícios e liquidez para as ações", afirmou.

A Totvs, que atende o pouco penetrado mercado de pequenas e médias empresas do país e vem ampliando faturamento em 20 por cento ao ano, segue estratégia semelhante, promovendo encontros com investidores para divulgar seu papel e a performance da empresa.

"Hoje nosso foco continua sendo muito forte no operacional. Temos que entregar operacionalmente (resultados) e fazer processo de comunicação", disse José Rogerio Luiz, vice-presidente de gestão e relações com investidores da Totvs. Em 2006, a empresa fez 738 contatos com investidores e até agora neste ano já foram mais de 300.

"Software de gestão é item de primeira necessidade para as empresas. Com base nisso, a valorização de nossas ações é uma questão de tempo e da nossa capacidade de vendas", disse o executivo.

Segundo Luiz, o preço atual da ação da Totvs na Bovespa ao redor de 50 reais não é justo ao ser negociado com desconto em relação aos pares da empresa na Europa e nos Estados Unidos.

"Mas se de um lado não estamos contentes com a precificação de hoje, a entrega operacional e a nossa perspectiva de entrega são consistentes. Se o mercado não reconhecesse isso, a ação teria caído mais ainda", disse o executivo. A ação ordinária da Totvs acumula queda de cerca de 10 por cento este ano em relação ao final de 2007.

Apesar do momento de turbulência, a tendência para as empresas de Tecnologia da Informação é de expansão que deve ser acompanhada no futuro pelas ações, diz o analista Daniel Busquets, da DGF Investimentos, gestora de fundos de capital empreendedor e private equity.

"As companhias de tecnologia, em geral, apresentam de fato graus de risco mais elevados em comparação a outras companhias mais tradicionais (...) no entanto, tais empresas apresentam também potenciais de crescimentos substanciais", afirmou o analista.

"Em geral, as companhias brasileiras de TI têm muito espaço para crescer de forma consistente e acelerada no futuro e os preços (das ações) tenderão a se ajustar", afirmou.
Reuters

terça-feira, 22 de abril de 2008

Duratex compra Ideal Standard do Brasil em negócio de R$ 60 milhões

SÃO PAULO - A Duratex, dona da marca Deca, informou hoje que fechou acordo para comprar a totalidade das cotas do capital da Ideal Standard do Brasil em um negócio que vai movimentar R$ 60 milhões. As marcas da fabricante de louças sanitárias adquirida não foram incluídas na transação.

Com a compra, a Duratex passará a controlar as plantas industriais da Ideal Standard localizadas em Jundiaí (SP) e Queimados (RJ). A capacidade total dessas unidades é de 150 mil peças/mês, elevando desta forma a capacidade total de produção de louças sanitárias Deca para 5,6 milhões de peças/ano, cerca de 25% da capacidade brasileira.

O valor de R$ 60 milhões do negócio inclui não apenas os gastos com a aquisição, mas também ajustes de capital de giro.

Em comunicado ao mercado, o diretor de Relações com Investidores da Duratex, Plínio do Amaral Pinheiro, diz que "esta aquisição permitirá à Deca aumentar significativamente suas vantagens competitivas no segmento de materiais de acabamento para a construção civil, num momento extremamente favorável para este setor, onde as perspectivas atuais e futuras são altamente positivas".

(Valor Online)

JetBlue reduz prejuízo no 1º tri para US$ 8 milhões

Valor Online

SÃO PAULO - A norte-americana JetBlue anunciou hoje um prejuízo líquido de US$ 8 milhões no primeiro trimestre, contra US$ 22 milhões no mesmo período do ano passado. Embora tenha registrado um aumento de 34,2% em seu faturamento - que foi a US$ 816 milhões - a companhia não foi capaz de voltar ao azul por conta de uma alta de 28,5% em suas despesas operacionais, de US$ 799 milhões.

O aumento nas despesas é reflexo direto da alta nos gastos com combustíveis, de 61,8%, para US$ 308 milhões. Para se ter uma idéia, a segunda maior despesa da empresa foi com salários: US$ 178 milhões.

Ainda assim, o resultado operacional da companhia passou de um prejuízo de US$ 13 milhões nos primeiros três meses de 2007 para ganho de US$ 17 milhões no mesmo período deste ano. A margem operacional da empresa, por esse motivo, aumentou em 4,4 pontos percentuais, para 2,2%.

Estamos satisfeitos com nossa forte performance em faturamento unitário e por nossa disciplina de custos durante o trimestre, disse o executivo-chefe da empresa, Dave Barger. Continuamos a ver uma demanda saudável em toda nossa rede, e estamos encorajados com a abordagem mais disciplinada da indústria em relação a capacidade. Ainda assim, a JetBlue não é imune ao aumento sem precedentes no preço do combustível, e estamos dando os passos necessários para responder a esse ambiente, completou.

Segundo ele, a empresa reduziu ainda mais seu ritmo de crescimento de capacidade no ano para entre 3% e 5%. Isso ocorrerá com mudanças na malha após o período de alta temporada e através de outras mudanças que se façam necessárias.

Seguindo iniciativa da United Airlines, a empresa anunciou ainda que vai começar a cobrar uma taxa adicional pela segunda bagagem despachada por passageiros, no valor de US$ 20. Segundo Barger, esse valor vai ajudar a compensar o gasto adicional de combustível necessário para transportar a bagagem adicional - uma vez que, segundo a empresa, a grande maioria dos viajantes utiliza apenas uma mala.

Para o segundo trimestre deste ano, a empresa espera apresentar uma margem operacional de entre 1% e 3%, considerando um valor de US$ 3,09 por galão (3,78 litros) de combustível. Já o custo por assento disponível por milha voada (CASM, na sigla em inglês) deverá crescer entre 22% e 24% ante o mesmo período do ano passado.

Já para o fechado do ano, a margem operacional deve ficar, segundo a JetBlue, em entre 2% e 4%, com um custo médio da gasolina de aviação de US$ 3,05 por galão. A expectativa é que o CASM aumente entre 20% e 22% em relação ao fechado de 2007.

(José Sergio Osse | Valor Online)

Gerdau se associa à maior siderúrgica da América Central

EFE

RIO - O grupo brasileiro de siderurgia Gerdau, maior produtor de aços longos da América Latina, com unidades em onze países do continente, informou nesta terça-feira que fechou uma parceria com a Corporación Centroamericana del Acero, a maior produtora de aço da América Central. A aliança estratégica representa a entrada do grupo brasileiro neste mercado.

Esta parceria vai permitir ao grupo brasileiro ter 30% de participação na Corporación e significa também o compromisso de investir US$ 180 milhões nas operações da empresa, segundo um comunicado divulgado hoje pela Gerdau. A empresa da América Central tem uma capacidade instalada de produzir 500.000 toneladas de aço e 690.000 toneladas de laminados por ano.

O grupo brasileiro já tem unidades na Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Peru, Uruguai, México, República Dominicana e Venezuela, assim como na Espanha e Índia.

- A sociedade coloca o grupo Gerdau como um dos maiores protagonistas da América Central e Caribe. A região é estratégica e passa a ter importância especial para o grupo, junto com as unidades no México e República Dominicana, para atender às demandas do mercado local - afirmou André Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau, citado no comunicado.

A Corporación tem uma unidade siderúrgica na Guatemala, quatro unidades de laminação em Guatemala e Honduras, escritórios comerciais na Guatemala, Honduras e El Salvador, e unidades de distribuição na Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras e Nicarágua. Também possui uma participação minoritária na empresa hondurenha Intrefica.

O Grupo Gerdau tem ações negociadas nas bolsas de valores de São Paulo, Nova York, Toronto e Madri. Possui 37 mil empregados em todo o mundo e uma capacidade instalada de 24,8 milhões de toneladas de aço por ano. O grupo brasileiro, com 272 unidades industriais e comerciais, é o décimo quarto maior produtor de aço do mundo.

Itaú muda a estrutura administrativa

Valor Online

SÃO PAULO - O presidente do Itaú, Roberto Setubal, anunciou nesta sexta-feira uma série de mudanças na estrutura administrativa da organização, oficialmente destinadas a preparar o segundo maior banco privado para o esperado aumento da competição, mas que abrem terreno para mudanças mais profundas na cúpula do grupo.

Setubal informou aos funcionários a nomeação do executivo Geraldo Carbone para assumir o comando de todas as operações de varejo do Itaú, na posição de novo vice-presidente sênior, tarefa que o banqueiro acumulava com a presidência do Banco Itaú Holding Financeira. Com isso, Carbone assume as tarefas do dia-a-dia e Setubal tem mais tempo para dedicar-se à estratégia do banco, cada vez mais importante em um cenário de queda das margens, aumento do crédito e competição mais acirrada após a compra do Banco Real pelo Santander.

Não foi dito aos funcionários, mas a decisão abre espaço para uma transição mais ampla no grupo, que pode incluir dois movimentos. Roberto, 54 anos, fica agora mais livre para eventualmente substituir o pai, Olavo Egydio Setubal, no comando da holding do grupo, a Itaúsa, um dos maiores conglomerados do país que, além do banco, controla a Duratex, Itautec e Elekeiroz. Aos 85 anos, Olavo Setubal ainda vai diariamente à sede da Itaúsa. A própria família gostaria que se poupasse mais.
Ricardo Marino segue a trilha de Setubal

A mudança também abre espaço para a ascensão ao comando do banco de Ricardo Villela Marino, filho de Milu Villela, que participa do controle do banco. Marino, 33 anos, não teve a posição alterada na nova reformulação da estrutura do banco e mantém-se à frente dos negócios na América do Sul e da área de recursos humanos. Mas, entre os representantes da nova geração, ele é o candidato natural a suceder Roberto Setubal.

Parece que Ricardo Marino deve seguir a trilha de Roberto. Antes de assumir o comando do Itaú e enquanto ele era preparado para a tarefa, o banco foi comandado por executivos de alta confiança da família - José Carlos Moraes Abreu e Carlos da Câmara Pestana.

Carbone, 48 anos, pode desempenhar esse papel. Na nova estrutura, ele será o homem do varejo, cuidando da área de pessoa física, o segmento de negócios mais importante do banco, tendo sob comando de 35 mil a 40 mil pessoas, mais da metade das 65 mil do conglomerado financeiro. Carbone estava no conselho de administração desde que o BankBoston, que presidia, foi adquirido pelo Itaú, em 2006.

Carbone terá abaixo de si Ronald Anton Jongh, vice-presidente executivo responsável pela área comercial e figura vital em várias aquisições feitas pelo grupo; o também vice-presidente executivo João Jacob, que cuida da rede de agências; e a área de cobrança.

Sérgio Werlang passou de diretor a vice-presidente executivo, com as áreas de riscos, controladoria e contabilidade, controle societário e fiscal, tendo sob seu comando o diretor Silvio de Carvalho.

Algumas dessas áreas eram de responsabilidade de Henri Penchas, que se aposentou por atingir a idade limite de 62 para compor a diretoria do banco e vai assumir uma cadeira do conselho de administração. Werlang também cuidava anteriormente de toda a área de crédito. Agora, ficará com as questões ligadas à avaliação de risco, deixando a operação de crédito propriamente dita para cada área.

O vice-presidente executivo Antonio Carlos Barbosa de Oliveira, conhecido pelos amigos como Cao, que implantou o Itaú na Argentina e é o homem do Itaú na direção do Itaú BBA, vai cuidar também das áreas jurídicas, de auditoria, compliance, segurança corporativa e tecnologia da informação.

Alfredo Egydio Setubal, vice-presidente sênior responsável pela administração de recursos de terceiros e mercado de capitais, teve a área ampliada passando a incluir as atividades de seguros, tocadas por Osvaldo Nascimento. E o vice-presidente sênior Antonio Jacinto Matias continua à frente de marketing e sustentabilidade.

Os outros vice-presidentes executivos são José Francisco Canepa, responsável pela financeira Taií e parcerias, além do cartão; Marco Bonomi, de financiamento de veículos e imóveis; Rodolfo Fischer, da tesouraria; Ruy Vilela Moraes Abreu, que concentra a área de pessoa jurídica e anteriormente cuidava também da pessoa física de alta renda (cliente Personnalité), que passa agora para Carbone.

McDonald´s tem alta de 24% no lucro trimestral

Valor Online

SÃO PAULO - O McDonald´s teve lucro líquido de US$ 946,1 milhões entre janeiro e março deste ano, o que representa crescimento de 24% em relação aos US$ 762,4 milhões somados em período equivalente de 2007. Diluído por ação, o lucro foi de US$ 0,81 ante US$ 0,62 do primeiro trimestre do calendário passado. As receitas foram de US$ 5,292 bilhões para US$ 5,614 bilhões.

O resultado do primeiro trimestre reflete, segundo a companhia, a força de suas operações internacionais. No período, por exemplo, Europa e Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África registraram expansão de dois dígitos na receita e no lucro operacional.

O desempenho financeiro em curso do McDonald´s é uma prova da força de nosso modelo de negócios, destacou o executivo-chefe da empresa de lanches rápidos, Jim Skinner. Administramos nossas atividades para o longo prazo com estratégias sólidas a fim de entregar crescimento sustentado na rentabilidade, complementou.

Skinner comentou que o McDonald´s seguiu fortalecendo o retorno ao acionistas nos três primeiros meses deste calendário ao voltar quase US$ 2,5 bilhões por meio de dividendos e recompra de ações.

(Juliana Cardoso | Valor Online)

Mercado eleva previsão de inflação neste ano pela 4ª semana

Reuters

SÃO PAULO - Pela quarta semana seguida, o mercado revisou para cima a expectativa para a inflação neste ano. De acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira, 22, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado como referência para a meta de inflação - passou de alta de 4,66% na semana passada para 4,71% na apuração desta semana. O resultado mantérm-se acima da meta de inflação para o ano, que é de 4,5%. Contudo, ainda está dentro da margem - dois pontos porcentuais para cima e para baixo. Para o final de 2009, a expectativa permaneceu em 4,40%.

Apesar da previsão maior para a inflação, a pesquisa manteve a mesma expectativa da semana passada para a Selic - a taxa básica de juros da economia. Segundo a apuração desta semana, o juro básico no final deste ano ficará em 12,75% e para o fim de 2009 foi mantido em 11,25%. De qualquer forma, os números mostram que o mercado já sinaliza que os juros vão continuar subindo em 2008. Na semana passada, o BC elevou a Selic de 11,25% para 11,75% ao ano e, tomando por base a previsão apontada na pesquisa Focus, isso significa um aumento de mais 1 ponto porcentual até o final do ano.

Com inflação mais alta e os juros elevados, o mercado revisou para baixo a previsão de crescimento para este ano - caiu de 4,70% para 4,60%. Quatro semanas antes, o mercado esperava expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,50%. Para 2009, a mediana foi mantida em 4%, mesmo patamar registrado quatro semanas antes. Para o ritmo de crescimento da indústria, no entanto, a previsão de crescimento foi melhorada, e subiu de 5,40% para 5,50% no cenário para 2008. Quatro semanas antes, a expectativa era de 5,14%. Para 2009, analistas mantiveram pela 14ª semana consecutiva a previsão de expansão de 4,50% para a atividade industrial.

Em relação ao dólar, a projeção foi mantida em R$ 1,75 para o final de 2008 e passou de R$ 1,85 para R$ 1,82 para o fim de 2009.


Contas externas devem piorar

O relatório Focus apresentou ainda nova deterioração para as projeções das contas externas. A expectativa de déficit em conta corrente (balança comercial, serviços e transferências) em 2008 aumentou de US$ 16 bilhões para US$ 16,50 bilhões, na 21ª piora seguida. Um mês antes, a expectativa era de resultado negativo de US$ 9,75 bilhões. Para 2009, a previsão para o saldo negativo aumentou de US$ 20 bilhões para US$ 22 bilhões. Há quatro semanas, a expectativa estava em US$ 13 bilhões.

Esta piora do resultado das contas externas é puxada pelo desempenho da balança comercial. As projeções para o saldo do comércio exterior caíram de US$ 25,30 bilhões para US$ 25 bilhões. Um mês antes, estava em US$ 28,77 bilhões. Para 2009, a aposta para o superávit comercial caiu de US$ 19,50 bilhões para US$ 19,36 bilhões. Há quatro semanas, estava em US$ 23 bilhões.

Com relação ao ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), o mercado manteve a expectativa de que devem entrar US$ 30 bilhões em 2008 e US$ 27 bilhões em 2009. Há quatro semanas, os números eram, respectivamente, de US$ 30 bilhões e US$ 25 bilhões, respectivamente.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Preço do petróleo, acima de US$ 117 pode desestabilizar a economia, diz chefe do FMI

Reuters

ROMA - Os preços dos alimentos e da energia chegaram a níveis que ameaçam desestabilizar o crescimento global, a menos que as autoridades apresentem rapidamente planos para aumentar as provisões da commodity, disse nesta segunda-feira o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

- Os preços das matérias-primas em geral, especialmente dos alimentos e de energia, alcançaram níveis onde se corre o risco de se converterem numa força desestabilizadora para a economia global. Este é um problema global que requer uma resposta global coerente - disse John Lipsky, durante um fórum de energia em Roma.

Os preços do petróleo superaram os US$ 117 o barril nesta segunda feira no mercado de Londres.

Lipsky destacou que embora economias avançadas como a dos Estados Unidos tenham se desacelerado, a demanda pelo óleo cru não havia sido reduzida em mercados emergentes como o da China, Índia e o Oriente Médio, que representam dois terços do aumento do uso de energia na última década.

- Fundamentalmente, os preços do petróleo provavelmente se manterão em níveis altos devido às condições de ajuste de mercado - afirmou, acrescentando que as capacidade desocupada entre os produtores da Opep era apenas a metade de seus níveis entre 1996-2007.

Setor de eletroeletrônicos estima prejuízo de US$ 1 bilhão com greve de auditores fiscais

SÃO PAULO - Os componentes e insumos para fabricação de eletroeletrônicos parados em portos e aeroportos, devido à greve dos auditores fiscais da Super Receita, já somam cerca de US$ 350 milhões. O prejuízo estimado pela Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, a Eletros, relacionado à armazenagem adicional desses itens já alcança US$ 200 milhões. Considerando ainda as perdas com vendas não realizadas, essa projeção sobe para US$ 1 bilhão.

Segundo Lourival Kiçula, presidente da entidade, a indústria não está conseguindo honrar os pedidos do varejo para atender a demanda gerada no Dia das Mães, segunda melhor data comemorativa para o setor depois do Natal. A previsão era de vender 10% mais do que o registrado em 2007 nesse período.

"Os US$ 200 milhões em multa não têm retorno, não há como repassar, assim como as perdas com as vendas para o Dia das Mães. Isso também não tem mais como recuperar", diz. Para ele, as perspectivas de retomada são ainda piores considerando que daqui até o segundo domingo de maio há dois feriados nacionais: Tiradentes e Dia do Trabalho.

Segundo o dirigente, a situação é ainda mais grave entre as empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Das 30 companhias associadas à Eletros, pelos menos 10 já tiveram que interromper a produção por mais de 1 dia desde que a greve começou, há um mês. Os segmentos mais afetados são da linha marrom, que abrigam itens de áudio e vídeo. Na linha branca a produção de refrigeradores é a mais afetada, de acordo com Kiçula.

Vale notar que nessas contas não entram as multas recebidas pelas indústrias do setor por não honrar os prazos contratuais de exportações. "Nesse caso podem ocorrer inclusive perda de contrato", diz o presidente.

Foi esse cenário que Kiçula apresentou em Brasília ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. A intenção era buscar uma solução rápida para o problema, que já mais de um mês. O dirigente afirma que o ministro está preocupado com o quadro, mas sem previsões para a solução.

A sugestão da Eletros foi usar a mão de obra de agentes da Secretaria do Comércio Exterior (Secex) nos terminais portuários e nos aeroportos. "Eles não têm pessoal suficiente, mas esse recurso já foi usado antes e não é ruim", diz o dirigente. "O ministro disse que avaliaria", completou.

Hoje o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou o governo a descontar os dias parados dos auditores fiscais da Super Receita, em atendimento ao pedido do governo federal. A suspensão do pagamento foi determinada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sob a alegação de que o prolongamento da paralisação traz prejuízos à administração federal e à economia.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Financeiras devem repassar alta dos juros

O Globo Online

SÃO PAULO e RIO - A alta de 0,5 ponto percentual nos juros básicos da economia, a taxa Selic , deve ser repassada para os consumidores pelas financeiras e, segundo a expectativa dos especialistas, o repasse deve ser feito já nos próximos dias. A avaliação é do presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi), Érico Ferreira, diz reportagem do Globo, nesta sexta-feira.

Mais do que a Selic, são os juros projetados nos contratos negociados no mercado futuro (em que os investidores apostam em uma taxa em uma determinada data) que definem as taxas cobradas no varejo. E esses contratos passaram por forte ajuste quinta-feira, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).

No varejo, no entanto, a alta da Selic ainda não alterou o parcelamento das compras. Consultadas pelo Globo, Casas Bahia e Comprafacil.com (do Grupo Hermes) informaram que não pretendem alterar o crediário, nem reduzir prazos, nem aumentar os juros cobrados. Na Casa&Video, "a princípio não haverá mudanças significativas no crediário que impactem o consumidor".

Dívida ameaçaria grau de investimento do Brasil

As preocupações das agências de avaliação de risco com o alto nível da dívida pública brasileira ameaçam a esperada elevação do Brasil ao grau de investimento, segundo afirma reportagem publicada hoje pelo diário britânico Financial Times.

O jornal também relata uma preocupação sobre a capacidade do País de manter suas recentes altas taxas de crescimento.

Ao classificarem um país com o grau de investimento, as agências de avaliação de risco declaram que os investimentos naquele país têm um risco baixo, atraindo assim investimentos que buscam segurança.

A reportagem comenta que "o Brasil é a maior economia da América Latina, e as melhorias nos seus indicadores macroeconômicos ao longo da última década levaram muitos a assumirem que um grau de investimento era somente uma questão de tempo".

O jornal afirma, porém, que "parte do brilho do desempenho econômico foi perdido, e os analistas não estão mais confiantes de que o país possa conseguir seu tão esperado grau de investimento em 2008".

Dívida pública
A reportagem cita dados do Deutsche Bank que mostram que a dívida pública líquida do Brasil representa mais de 40% de seu PIB, em comparação a uma média de 20% nos países avaliados com o grau de investimento.

"O gasto público tem se mantido fixo em 20% do PIB por vários anos, enquanto que a média para o México, a Argentina, o Chile e a Colombia é de menos de 14%. Ainda assim, em vez de cortar os gastos, o governo implementou várias medidas no ano passado que aumentarão os gastos com a folha de pagamentos e com o deficitário sistema público de aposentadoria", relata o jornal.

O Financial Times comenta ainda que dois projetos aprovados neste mês pelo Senado, se passarem pela Câmara dos Deputados, "vão aumentar dramaticamente os gastos com aposentadorias, desfazendo reformas anteriores e em direta contravenção à reconhecida lei de responsabilidade fiscal que serviu de base para a estabilidade macroeconômica desde que foi introduzida, em 2000".

Terra

Brasil tem pior desempenho em exportações entre emergentes

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo

GENEBRA - O crescimento das exportações do Brasil foi, ao lado da Rússia, o menor entre os Brics (bloco formado pelas economias emergentes de Brasil, Rússia, China e Índia) e representa apenas 1,2% do comércio mundial, segundo divulgou nesta quinta-feira, 17, a Organização Mundial do Comércio (OMC). Apesar disso, o País subiu uma posição no ranking dos maiores exportadores do mundo, ficando em 23º lugar, uma posição acima da que ocupava em 2007.

A OMC, porém, alerta que 2008 será um ano difícil para o comércio. Os fluxos de bens, diante da crise, devem aumentar em apenas 4,5%, a menor taxa nos últimos três anos. A desaceleração da economia americana e européia serão sentidas e o crescimento dos emergentes não será suficiente para compensar a queda.

Para analistas, a alta da taxa básica de juro, a Selic, para 11,75%, deverá reforçar a tendência de ingresso de recursos de curto prazo no País, contribuindo para maior valorização do real. Como a queda do dólar estimula as importações e torna as exportações menos competitivas, o efeito da pressão sobre a taxa de câmbio pode ser uma piora nas contas externas. O aumento de 0,50 ponto percentual na Selic foi anunciado na última quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

A entrada de recursos, no entanto, será estimulada porque vai aumentar a diferença entre os juros no Brasil e os cobrados nos principais mercados externos. Assim, os investidores serão incentivados a fazer as chamadas operações de "arbitragem", em que captam recurso lá fora e aplicam no mercado brasileiro, ganhando com a diferença.

Máquinas de ganhar dinheiro

Wellington Miyazaki - AE

Para ganhar dinheiro no mercado financeiro, principalmente no curto prazo, não basta ser informado e disciplinado. É preciso ser meio visionário para conseguir descobrir o momento certo de comprar ou de vender e ter muito sangue-frio. “O pulo do gato para ganhar é acertar o timing, manter a calma e olhar para os indicadores que realmente importam”, ensina o diretor-executivo de Fundos de Investimentos do Banco WestLB do Brasil, Aristides Jannini.

De forma geral, a busca por esse momento mágico e a elaboração de estratégias de longo prazo exigem que a rotina de um gestor de fundo tradicional comece bem cedo: muitos estão desde as 7 horas da manhã a postos para analisar em detalhes o cenário para o dia, fazer projeções, discutir novas estratégias e, por fim, decidir onde aplicar os recursos que administram.

Há, no entanto, um grupo de fundos administrados de forma completamente distinta, mas com noção de tempo perfeita, ausência total de emoções e alto poder de concentração. Parece trabalho para um computador – e, em alguns casos, é mesmo.

O surgimento desses fundos no exterior começou em meados da década de 90 e até virou moda a contratação de físicos, astrofísicos, matemáticos e até mesmo meteorologistas pelas instituições financeiras. A idéia era dar um passo além da análise gráfica, estratégia que acompanha apenas a oscilação de preços para determinar o momento correto de negociar.

Desde então, as ferramentas se sofisticaram. Atualmente, envolvem modelos estatísticos intrincados e até redes neurais – sistemas computacionais capazes de aprender pelo erro e pelo exemplo, um passo em direção à (ainda distante) inteligência artificial. A meta é estabelecer as prováveis oscilações dos preços dos ativos, a relação entre as cotações e as tendências para diversos mercados.

A nova realidade criou um tipo de estratégia de gestão de carteiras de investimentos chamada de quantitativa. Aqui no Brasil, a baixa liquidez de cada mercado, no entanto, a torna viável principalmente para fundos multimercados, aqueles que direcionam recursos para diversos tipos de aplicações.

Dia-a-dia

Nesses fundos quantitativos, o sistema consegue, em questão de segundos, analisar o retorno da ação em relação ao risco e determinar se vale a pena comprar ou não. Essa análise é baseada num modelo matemático e cada gestor adota um modelo próprio, guardado a sete chaves. Se o sistema decide por compra, por exemplo, o próprio software dá a ordem de investimento e aplica.

O gestor? Para o leigo, pode parecer muito simples ou ainda criar a impressão de que a máquina é quem decide, mas a vida do gestor desse tipo de fundo não é nada fácil. Diante de uma série de indicadores, que em certas ocasiões influenciam fortemente os preços e em outras nem são observados por analistas e investidores, é difícil achar qual fator terá impacto no mercado financeiro no curto, médio ou longo prazo. É preciso descobrir quais dados são relevantes, quais serão usados na tomada de decisão, qual a relação entre eles e atribuir-lhes o peso adequado, conta Jannini.

Num país de surpresas

Alguns especialistas defendem como grande vantagem dessa estratégia a capacidade de expurgar a subjetividade da decisão de investimento, mas ela tem outros pontos positivos. Primeiro, estratégias quantitativas criam um diferencial de gestão, já que os mercados tendem a olhar para os mesmos parâmetros, mesmo diante de um cenário de queda de prêmios de risco e, conseqüentemente, de queda da volatilidade. Segundo, esses fundos são capazes de acompanhar milhares de ativos em diversos mercados ao mesmo tempo, algo humanamente impossível. E, terceiro, esses fundos teriam, pelo menos na teoria, uma análise mais acurada do risco.

“O investimento é mais exato, pois não recebe interferência de boato ou de especulação e baseia-se na relação risco-retorno”, explica o diretor geral da empresa de análise quantitativa, Phynance, Fábio Bretas.

O perigo está no fato de o modelo ignorar eventos-surpresa, o que aconteceu nesta semana com as ações da Petrobras, após o anúncio de uma possível descoberta de um novo megacampo de petróleo. Os computadores não assimilam esses eventos e somente dias depois recomendam compra ou venda. Ou seja, tarde demais.

No Brasil, esse tipo de análise, feita pelo computador, está apenas começando. Hoje, o mercado conta com 12 fundos de investimento no Brasil que utilizam programas de computador para determinar onde investir e seus ativos somam R$ 350 milhões, um tamanho pequeno para uma indústria que supera R$ 1 trilhão.

Bons retornos

Apesar da instabilidade da Bolsa nos últimos meses, a maioria dos fundos quantitativos está com rentabilidade acima dos seus índices de referência no ano. O Polo Latitude 84 FI ações, por exemplo, apresenta rentabilidade de 6,34% em 2008 contra ganho de 0,43% da Bovespa no mesmo período. “O fundo é recomendado apenas para quem tem calma durante períodos voláteis”, diz a responsável pela área de Relações com Investidores da Polo Capital Management, Dara Chapman.

Nesse quesito, os gestores do fundo quantitativo da Principia, o Principia Hedge Plus FI Multimercado são PhD. “Nosso patrimônio chegou a cair pela metade recentemente”, conta o sócio da Principia Capital Management, Denis Lee. “E muitos investidores sacaram os recursos”, lembra. Apesar disso, o fundo multimercado do Principia mantém a performance acima do CDI, com alta de quase 5% em 2008.

Em geral, os fundos quantitativos estão melhores do que a média dos fundos tradicionais do mercado. Pelos dados da Anbid, que reúne a indústria de fundos de investimento, os fundos de ações apresentam queda de 1,27% no ano e os multimercados registram alta de 2,06%.

Presidente da Samsung é acusado de evasão fiscal

A justiça da Coréia do Sul acusou o presidente do grupo Samsung, Lee Kun-hee, de evasão fiscal e abuso de confiança.

O indiciamento foi anunciado depois da conclusão de três meses de investigações sobre corrupção no maior conglomerado do país. A empresa é acusada de esconder mais de U$4 bilhões (R$6,5 bi) em bens e de criar um esquema para transferir o controle do grupo ao filho de Kun-hee através de práticas contábeis ilícitas.

Além do presidente, a Justiça indiciou ainda outros nove executivos da empresa.

A promotoria afirmou que não irá prender Kun-hee, de 66 anos, já que sua detenção poderia "causar um enorme transtorno nos negócios da Samsung e ter repercussão negativa para o país em um momento crucial para sua economia".

No entanto, os promotores divulgaram um comunicado no qual afirmam que o conglomerado teria sérios problemas estruturais, incluindo a "transferência ilícita do controle gerencial".

"Nossa equipe de investigadores espera que o inquérito seja uma oportunidade para a Samsung resolver estes problemas e reaparecer como uma empresa global de primeira-classe sem rivais".


Inquérito

As investigações contra o grupo foram iniciadas depois do ex-advogado chefe da Samsung ter revelado que a corporação mantinha um fundo com cerca de US$ 200 milhões para subornar funcionários do governo, promotores e juízes. A Justiça liberou a empresa destas alegações.

Apesar de negar as acusações, o presidente Kun-hee assumiu responsabilidade pelos problemas da empresa e afirmou que pode considerar renunciar ao cargo.

Filho do fundador da Samsung, ele assumiu a chefia dos negócios em 1987 e a partir de então, a empresa se tornou líder mundial na produção de chips de memória.

Apesar de conhecida pela sua produção de equipamentos eletrônicos, a Samsung também é uma das maiores empresas do mundo na construção de navios.

O conglomerado emprega cerca de 754 mil funcionários e tem um lucro anual de mais de U$14 bilhões (R$ 23bi). Além disso, a empresa é responsável por aproximadamente 20% de toda a exportação da Coréia do Sul.

Por estas razões, o caso de corrupção na empresa foi acompanhado de perto no país, onde a Samsung é considerada uma das empresas mais poderosas e respeitadas, apesar da preocupação sobre o comportamento de seus líderes.

Em um comunicado, a empresa pediu desculpas pelos danos que o caso causou à reputação e prometeu reformular a sua prática no futuro.

"A Samsung considera esta investigação como um novo ponto de partida e está preparando planos de reformulações com base nos conselhos de vários setores de nossa sociedade", diz o texto do comunicado, divulgado após o anúncio das acusações contra o presidente.

A Samsung não é a primeira grande corporação do país a ser acusada de corrupção.

Em setembro de 2007 o presidente da Hyundai foi considerado culpado de apropriação indébita. Mas a Justiça suspendeu a sentença de três anos de prisão, alegando que iria prejudicar a economia da Coréia do Sul.

G1

Crédito do Nota Fiscal Paulista já pode ser resgatado

Elizabeth Lopes, da Agência Estado

SÃO PAULO - Os consumidores que se cadastraram no Programa Nota Fiscal Paulista, lançado no ano passado pelo governo de São Paulo, já podem resgatar os créditos relativos ao último trimestre do ano passado. A Secretaria da Fazenda calcula que mais de 500 mil consumidores terão direito a esses créditos.

Se o crédito a que o consumidor tem direito for de pelo menos R$ 25,00, é possível indicar uma conta corrente ou conta poupança para o depósito. Além disso, é possível transferir qualquer montante do crédito para outra pessoa. A Fazenda informa também que as opções de desconto no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e de crédito em cartão de crédito estarão disponíveis a partir de outubro.

O programa, que devolve 30% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pago pelos consumidores no Estado, gerou de outubro a dezembro do ano passado R$ 770 mil em créditos para serem distribuídos. Nesse mesmo período, foram processados mais de 23,4 milhões de documentos fiscais com CPF ou CNPJ. De acordo com a Secretaria da Fazenda, o valor médio dos créditos por documento fiscal foi de R$ 1,50 e o maior crédito para pessoa física atingiu R$ 1.223,44.

Os valores restituídos ao consumidor pelo Programa Nota Fiscal Paulista ficarão disponíveis para utilização por um período de cinco anos. Nas compras efetuadas de janeiro a junho, os créditos poderão ser utilizados a partir de outubro do mesmo ano e nas compras de julho a dezembro os créditos estarão disponíveis a partir de abril do ano seguinte. Um dos principais objetivos do governo paulista com este programa é incentivar a adesão das pessoas físicas e jurídicas ao Programa de Estímulo à Cidadania Fiscal. Para fazer o cadastro no programa, o consumidor deve acessar o endereço www.nfp.fazenda.sp.gov.br.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Copom eleva, por unanimidade, a taxa de juros em 0,50 ponto percentual, para 11,75% ao ano

Globo Online

RIO - O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,50 ponto percentual, para 11,75% ao ano nesta quarta-feira. Esta é a primeira alta dos juros desde maio de 2005. Desde outubro do ano passado, a taxa estava inalterada. Analistas estavam divididos entre um aumento de 0,25 e 0,50 ponto percentual, mas a maioria apostava na elevação de 0,25 ponto.

A decisão foi tomada por unanimidade e não foi estabelecido viés para a taxa. O grupo também emitiu comunicado diferente do padrão dos anteriores, no qual sinaliza novas elevações do juro, embora informe que parte relevante desse ajuste foi determinada com a decisão de hoje.

"Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% ao ano, sem viés. O Comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como consequência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado", afirmou a nota do Copom. O próximo encontro do comitê ocorrerá nos dias 3 e 4 de junho.
Aumento na taxa mensal para o consumidor deve ser 0,55%

O aumento da Selic vai provocar uma elevação de 0,55% na taxa média mensal de juros paga na ponta do consumidor, segundo estimativa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Projeção da instituição indica que a taxa mensal vai passar de 7,28% para 7,32%. Em 12 meses, o custo vai chegar a 133,44%, contra 132,39% antes.

As entidades empresariais criticaram duramente o aumento dos juros. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro (PTB-PE), afirmou que viu com perplexidade a elevação de 0,5 ponto percentual da taxa Selic. Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, diz que a inflação está sob controle e que os fortes investimentos permitem que a oferta industrial atenda à evolução da demanda, o que não justificaria uma elevação de juros.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) diz que a decisão do Copom traz mais custos que benefícios ao país e questiona a eficácia da medida para segurar a alta do preço dos alimentos.

Alguns economistas se surpreenderam com a decisão do Copom. O economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, não via necessidade de aumentar a Selic neste momento, e acredita que possa haver desaceleração importante na atividade econômica.

- A decisão do Copom foi surpreendente e muito ruim. Ela pode reforçar o processo de desaceleração (da economia) - afirmou ele.

IPCA de março foi o mais alto desde 2005

Os últimos índices de inflação vieram acima das expectativas. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março foi o mais alto desde 2005 e o mercado, segundo a última pesquisa semanal do Banco Central, espera que no ano a inflação chegue a 4,66%, e em 2009, a 4,40%. A meta de inflação do governo (medida pelo IPCA) é de 4,5%, com margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Há tempos uma reunião não era precedida de intensa movimentação política - com ofensivas públicas do Ministério da Fazenda - e lobby, com ações das centrais sindicais, dos empresários e até da academia.

Tentanto evitar que o BC aumentasse a taxa de juros, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que uma expansão de 5% do PIB não representava pressão inflacionária e, para mostrar que outras medidas poderiam frear o consumo e evitar uma alta da inflação, anunciou o maior corte orçamentário da era Lula (R$ 19,4 bilhões).

Nestas ofensivas, contou com o apoio integral dos empresários, que chegaram a divulgar estudos e notas públicas rechaçando a alta dos juros e embasando com números a tese de que a inflação está concentrada, atualmente, em poucos itens da cesta de alimentos.

Juros em alta? Veja como proteger o seu investimento em Bolsa

Vinicius Pinheiro - AE
A possibilidade de o Banco Central dar início a um ciclo de aumento da taxa básica de juros, a Selic, na reunião marcada para hoje, é dada como certa pelo mercado financeiro. A perspectiva é que a taxa de juros suba 0,25 ponto porcentual, para 11,5%. Se confirmado, será o primeiro aumento em três anos. A alta seria uma resposta do Banco Central ao aumento das perspectivas de inflação, não só para este ano, como também para o ano que vem. Esse cenário de aceleração inflacionária e de maiores taxas de juros, de forma geral, é negativo para os investimentos em Bolsa.

Especialistas consultados pelo portal AE Investimentos apontam diferentes modos de avaliar as perspectivas para o mercado de ações. Para o analista de empresas da Concórdia, Eduardo Kondo, não vale a pena tomar uma decisão de investimento apenas com base na provável alta dos juros. Para ele, os juros devem subir, mas não devem continuar em patamar elevado por muito tempo. Neste contexto, as ações brasileiras continuariam a ser mais influenciadas, no curto prazo, pelo desdobramento da crise nos Estados Unidos.

Mesmo diante da perspectiva de um possível cenário externo adverso, o profissional recomenda ao investidor papéis de empresas consideradas competitivas do ponto de vista internacional. No caso da Bovespa, ele aponta companhias do setor de matérias-primas (commodities), como Petrobras e Vale, siderúrgicas, como Usiminas e CSN, e produtoras de papel e celulose Aracruz e Votorantim Celulose e Papel.

Se a alta da taxa Selic subir e continuar em um patamar mais elevado por um período maior de tempo, Kondo considera que os setores mais afetados negativamente, em um primeiro momento, serão os de construção civil e consumo. “Os resultados dessas empresas dependem diretamente do crédito concedido aos consumidores, que poderá ser afetado caso os juros altos”, explica.

Bancos ganham

Para o economista-chefe da Corretora Souza Barros, Clodoir Gabriel Vieira, a alta dos juros durante um momento delicado para o mercado financeiro é uma má notícia para a Bolsa como um todo. Ele acredita que apenas os bancos teriam condições de obter ganhos em uma situação de aperto monetário mais forte.

A Souza Barros possui recomendação de compra para as ações de Unibanco e Banco do Brasil. Na avaliação da corretora, os dois bancos apresentam cotações mais atrativas neste momento. “Mas os papéis das principais instituições financeiras do País são uma boa opção de investimento para quem tem foco no longo prazo, independentemente da taxa de juros”, observa. Vieira também aponta as empresas do setor de consumo e de varejo como as principais atingidas pelo processo de elevação dos juros.

Antecipando a queda

Na visão do chefe da área de análises da Link Investimentos, Celso Boin Junior, apesar de a alta da Selic não ser boa para a Bolsa, a expectativa é de que o processo não seja duradouro. “Além disso, a elevação não deve ser suficiente para comprometer o desempenho das empresas”, diz.

Agora, o analista enxerga uma oportunidade de compra para esses papéis. “Pode parecer um contra-senso, já que a alta dos juros afeta as empresas de varejo, mas os preços das ações do setor se mostram atrativos para quem deseja se antecipar a uma futura queda dos juros”, destaca.

Entre os papéis que mais devem se beneficiar, segundo analistas, são os setores importadores e algumas ações sugeridas são Positivo Informática, do setor de tecnologia, Fras-le, Marcopolo e Randon, que são produtoras de material rodoviário, e Coteminas, fabricante de fios e tecidos. Todas possuem parte relevante dos seus resultados atrelados a importação de produtos.

"A valorização do real frente ao dólar deve continuar mesmo que o Copom mantenha o juro estável”, diz o analista da corretora Omar Camargo, Luiz Augusto Pacheco.

A expectativa de valorização dos papéis de Positivo Informática é de 40% até o final do ano. “A empresa importa principalmente componentes eletrônicos e apenas monta seus produtos no Brasil”, explica Pacheco. Já a alta esperada para Fras-le, Marcopolo e Randon é de 23%, 44% e 46%, repectivamente.


Há ainda ações de empresas, que apesar de não possuírem grande participação de importados em suas vendas, também devem beneficiar-se da possível alta do real, como é o caso da fabricante de fios e tecidos, Coteminas, cuja expectativa é de ganho de 63% até dezembro. “A Coteminas não possui grande participação de importados em suas vendas, mas ela importa muito maquinário para sua produção e deve ter redução de custos”, explica o analista da Win, home borker da Alpes Corretora, Fausto Gouveia.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Queiroz Galvão estuda abrir capital até o fim do ano

ALBERTO KOMATSU
O grupo Queiroz Galvão estuda abrir capital até o final deste ano, mas somente da empresa voltada para óleo e gás. A informação foi dada hoje pelo diretor da Queiroz Galvão Óleo e Gás, José Augusto Fernandes. De acordo com o executivo, a empresa vai investir em torno de US$ 1,2 bilhão na exploração e produção de petróleo no Brasil nos próximos dois anos. Deste total, cerca de US$ 1 bilhão será desembolsado para construção de duas plataformas marítimas e cerca de US$ 170 milhões restantes para a perfuração de 10 poços nos próximos dois anos.

De acordo com Fernandes, dois poços serão perfurados na camada pré-sal, um na Bacia de Jequitinhonha e outro ao sul da Bacia de Santos. O executivo afirmou, no entanto, que essas duas jazidas não estão localizadas nas proximidades das áreas "badaladas", referindo-se às recentes descobertas anunciadas pela Petrobras e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Corretoras indicam compra de ações do setor de varejo

Vinícius Pinheiro - AE
Duas ações do setor de varejo aparecem como destaques de alta entre os papéis que compõem o Ibovespa - o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - nesta terça-feira. Às 11h55, a ação ordinária (ON, com direto a voto) da Lojas Renner registrava alta de 4,71% e a preferencial (PN, sem direito a voto) da Lojas Americanas subia 2,57%.

Ambas as empresas possuem recomendação de compra pelos analistas consultados pelo portal AE Investimentos. A corretora Link indica a compra das ações de Lojas Americanas, com preço-alvo de R$ 20,41 para dezembro de 2008, o que representa um potencial de alta 69,1% em relação ao fechamento de ontem. Os papéis da Renner são recomendados pela Planner, com preço-alvo de R$ 42,00 para o final do ano, o equivalente a um potencial de valorização de 36,4%.

Segundo o chefe da área de análises da Link, Celso Boin Junior, a alta de hoje é provocada principalmente por um ajuste de preços após as quedas recentes. As ações do setor de varejo sofrem desde o início do ano com a perspectiva de que o Banco Central eleve a taxa básica de juros (Selic). Os investidores interpretam que a medida poderá frear o ritmo de crescimento das empresas. No ano, os papéis da Renner acumulam baixa de 9,34% e os da Lojas Americanas, 19,72%.

Para o profissional da Link, no entanto, a alta dos juros não trará maiores impactos para o setor. Hoje pela manhã, o IBGE divulgou que as vendas do varejo em fevereiro aumentaram 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. "Os dados mostram que o crescimento das vendas continuará elevado neste ano", afirma.

O analista Peter Ping Ho, da corretora Planner, também possui uma visão positiva para as empresas de varejo. "As ações deverão se recuperar à medida que o IBGE confirmar o bom desempenho do setor, principalmente após o Dia das Mães", diz.

Estoque de aplicações no Tesouro Direto cresce 32,3% para R$ 1,6 bilhão em março

BRASÍLIA - O estoque de aplicações diretas de pessoas físicas em títulos públicos federais somou R$ 1,6 bilhão em março, aumento de 32,3% sobre o acumulado até o mesmo mês de 2007.

O Tesouro Direto registrou entre janeiro e março captação no valor de R$ 288,2 milhões, sua melhor performance para um trimestre, informou o Tesouro Nacional.

Somente em março, as vendas cresceram 41,4% sobre igual mês do ano passado, atingindo R$ 89,2 milhões. A maior procura (50,5%) foi por títulos prefixados (LTN e NTN-F), que possuem rentabilidade definida no momento da compra. Os papéis indexados ao índice de preços IPCA (NTN-B e NTN-B principal) ficaram em segundo lugar entre os mais vendidos, com participação de 35,5% do total mensal.

O Tesouro Direto permite que pessoas físicas apliquem valores acima de R$ 200 em títulos do governo federal, por meio da internet e de cadastramento em um banco da rede custodiante. Uma das vantagens em relação aos fundos de investimento financeiro (FIFs) é a taxa de administração menor.

O programa foi criado para estimular a poupança de longo prazo, mas os resgates podem ser feitos semanalmente. Cerca de 60% do volume aplicado está na faixa de até R$ 5 mil por investidor.

De acordo com o Tesouro, o número de investidores cadastrados cresceu 39,9% nos 12 meses encerrados em março, para 113.228 investidores, sendo 3.038 novos participantes apenas no mês passado.

(Valor Online)

PE fica com 25% dos novos investimentos no Nordeste, segundo banco

O G1 chegou na manhã desta terça-feira (15) ao Recife, capital de Pernambuco, estado que, segundo o Banco do Nordeste, concentra um quarto dos novos investimentos na região.

Com investimentos de grandes grupos, como Petrobras, Sadia e Perdigão, o estado também trabalha para desenvolver outros setores, como o têxtil, por meio de pequenos projetos.

Segundo a Agência de Desenvolvimento de Pernambuco, o estado trabalha para fazer o “casamento” entre os investimentos de grande porte que está atraindo e os programas de geração de renda do governo.

A idéia é que os projetos atuem como fornecedores das companhias que se instalam no estado.

O objetivo é, por exemplo, que o pólo têxtil popular que se formou no agreste pernambucano – e enfrenta a concorrência chinesa com roupas produzidas a R$ 1 (ou menos) – expanda sua atuação, fornecendo uniformes e roupas de trabalho para os grandes empreendimentos do estado.

Texto e foto: Fernando Scheller/G1

segunda-feira, 14 de abril de 2008

ANP: campo na bacia de Santos seria 5 vezes maior que Tupi

A Petrobras pode ter encontrado, na bacia de Santos, um reservatório de petróleo e gás com até 33 bilhões de barris, cinco vezes mais que o megacampo de Tupi descoberto na região no ano passado, informou hoje o diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima.

Lima disse que informações "oficiosas" da Petrobras avaliaram que a área conhecida como Carioca, na bacia de Santos, conteria a reserva gigante.

"Estamos sabendo por canais não oficiais, oriundos da operadora, que o prospecto do Carioca, que é chamado internacionalmente de Pão-de-Açúcar ("sugar loaf") apontaria para reservas cinco vezes maiores do que a reserva de Tupi", disse o executivo durante apresentação em seminário no Rio e em comentários posteriores a jornalistas.

Segundo Lima, o campo teria reservas em torno de 33 bilhões de barris de óleo equivalente (boe, de petróleo e gás), enquanto as reservas de Tupi são estimadas entre 5 e 8 bilhões de boe recuperáveis.

"Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos, e atualmente o terceiro maior campo de petróleo do mundo", afirmou Lima, sem deixar claro se o número de 33 bilhões de barris se referia a reservas recuperáveis, como no caso de Tupi, ou a reservas totais.

A Petrobras não confirmou a informação e não tinha nenhum executivo imediatamente disponível para falar sobre o assunto, mas informou que a área do Carioca fica na camada ultra-profunda pré-sal, onde está Tupi e local considerado de elevado potencial para grandes descobertas.

Carioca está no bloco BM-S-9 operado pela Petrobras (45% de participação), em associação a BG Group (30%) e Repsol YPF (25%).

Em setembro do ano passado, a Petrobras havia anunciado que um poço exploratório no bloco BM-S-9 havia descoberto petróleo leve de 27 graus API, produto de maior valor comercial do que o petróleo pesado normalmente produzido no Brasil. Tupi também possui petróleo leve.

"Os novos investimentos a serem feitos na área contemplarão a perfuração de outros poços e o desenvolvimento de novas tecnologias, que permitirão o avanço exploratório nas águas profundas da Bacia de Santos", disse a Petrobras na ocasião.

Apenas mais um poço foi furado, segundo a assessoria da estatal.

"Ainda estamos perfurando o segundo poço e não foi concluído", afirmou uma assessora após o anúncio de Lima.

Segundo a assessoria da estatal, tecnicamente Carioca ainda não pode ser chamado de campo porque não foi declarado comercialmente viável. O possível novo campo fica a oeste do campo de Tupi.

O Ministério das Minas e Energia afirmou que não se pronunciaria sobre o assunto.

As ações da Petrobras reagiram imediatamente aos comentários de Lima. Por volta das 14h10, os papéis da empresa subiam 5,7%, depois de terem operado em baixa durante boa parte da manhã, enquanto o Ibovespa cedia 0,3%.

Relatórios de bancos internacionais, como o UBS e Credit Suisse, já estimavam no ano passado que as reservas vizinhas poderiam ser muito maiores do que Tupi.

Fonte: Terra

OceanAir cancela rota e anuncia transferência de aeronaves

A OceanAir Linhas Aéreas divulgou hoje que vai implementar três medidas para mudar sua forma de atuar no mercado de aviação civil. Entre as mudanças implementadas pela companhia, está a suspensão temporária de seus vôos para o México.

Em nota, a empresa afirmou também que vai transferir parte de suas aeronaves dos modelos 757 e 767 para a Avianca, sua coligada. Segundo a OceanAir, a medida é parte do projeto de integração das companhias de aviação comercial do grupo.

Como terceira medida, a empresa informou que vai redimensionar sua malha no mercado interno brasileiro "para refletir a atual realidade de câmbio, tarifas e custos".

Segundo o comunicado, as mudanças tem como objetivo fortalecer a posição da OceanAir diante de "perspectivas de maior competitividade em virtude do ingresso de novos concorrentes e do crescimento do mercado doméstico".

A companhia aérea não explicou, no informe, se outras rotas serão suspensas, quantas aeronaves serão transferidas ou quantos passageiros serão afetados pelas medidas anunciadas hoje.

Fonte: Terra

Concorrência predatória

Depois de um 2007 sem expansão, a Bridgestone Firestone, maior fabricante mundial de pneus, quer voltar a crescer em níveis históricos neste ano no Brasil - entre 3,5% e 5% -, segundo o diretor de Assuntos Corporativos da companhia, Raul Viana. No ano passado, a Bridgestone faturou cerca de US$ 1 bilhão no País. Apesar da explosão das vendas de carros no Brasil, as fabricantes brasileiras de pneus enfrentam dificuldades para competir com a importação, sobretudo da China e do Vietnã.

Fonte: Jornal do Commercio

Pague menos taxas no home broker e tenha mais dinheiro para investir

Vivian Pereira Nunes - O Globo Online

RIO - É necessário ter cautela em tempos de vacas mais magras no mercado acionário, em que a crise do subprime tem afetado as bolsas no mundo todo e, conseqüentemente os lucros dos investidores, incluindo os brasileiros. E isso não se refere apenas aos ativos negociados, mas também aos gastos envolvidos nos investimentos em ações pelo home broker, hoje o principal canal de negócios de pessoas físicas.

Neste sentido, são três os custos que podem ter grande impacto nas suas operações no home broker: a taxa de corretagem, um percentual ou valor fixo cobrado por operação, que alcança até 2% do valor investido, e as taxas de custódia e de manutenção, preços fixos que algumas corretoras cobram, que chegam a R$ 30 por mês. Eles precisam ser investigados e analisados antes do investidor decidir por qual corretora vai operar.

Para estipular a taxa de corretagem, várias instituições utilizam a Tabela Bovespa que estabelece cinco faixas de desconto, de acordo com o volume da operação. Esse é o caso da Itautrade, corretora do banco Itaú. Entretanto, algumas corretoras estipulam um percentual fixo que é cobrado pela transação. É o caso do Bradesco, que cobra 0,3% por operação. Em outras, o serviço tem um custo fixo, independentemente do valor. É o que acontece na Ágora, onde cada transação custa R$ 20,00 de taxa corretagem.

De acordo com a Tabela Bovespa, quem faz uma transação até R$ 135,07, compra ou venda, paga R$ 2,70 de taxa de corretagem à corretora. Se a operação movimentar entre R$ 135,08 e R$ 498,62, o valor pago é de 2%. Entre R$ 498,63 a R$ 1.514,69, paga-se 1,5% do valor mais R$ 2,49 pela corretagem. A operação entre R$ 1.514,70 e R$ 1.514,60 resulta numa taxa de corretagem de 1% mais R$ 10,06. Acima de R$ 3.029,39, o valor cobrado é de 0,50% mais R$ 25,21.
Professor aconselha a escolher corretora que não cobre taxa de custódia

O especialista em finanças pessoais Rafael Paschoareli, professor da FEA/USP, critica o fato de haver corretoras que ainda cobram a Tabela Bovespa, na qual a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estabelecia a taxa máxima de corretagem que poderia ser cobrada. A partir de 2000, com a resolução nº 2.690, do Conselho Monetário Nacional (CMN), as corretoras foram liberadas para combinar livremente com os clientes os valores a serem cobrados pelos serviços.

- A Tabela Bovespa foi criada como uma referência para a cobrança pelos serviços feitos pela mesa de operações da corretora, em que os custos eram muito maiores. Com o advento da internet e do homebroker, os custos para realizar as operações são marginais - avalia.

Paschoareli aconselha o investidor a procurar uma corretora que ofereça um pacote de acordo com o seu perfil. Isso inclui saber o número de operações que se deve fazer por mês, o volume disponível para cada uma delas e a quantidade de informações e serviços que você precisa e pode aproveitar.

- Se você paga a tabela Bovespa em uma corretora que oferece várias análises, mas não consulta esse material nem sabe usá-lo, está comprando camisa Hering da Daslu - compara.

O especialista lembra ainda que é preciso ficar bem atento às informações sobre custos passadas pelas corretoras, em especial no que diz respeito às promoções.

- A corretora pode dizer que a taxa de corretagem é gratuita a partir de 80 operações, sem explicitar que essas precisam ser feitas todas no mesmo mês - exemplifica.

Seu conselho para o pequeno investidor que não realiza muitas operações e não tem tempo ou conhecimento suficiente para ler as análises mais complexas é procurar corretoras que não cobrem taxas de custódia ou de manutenção.

- Para o investidor pequeno, a taxa de custódia é pesada. Se ele é pequeno e não usa os serviços adicionais, deve ir para uma corretora que não cobra isso - acrescenta.
Economista destaca que taxa de corretagem fixa é melhor para quem opera volumes maiores

Já a economista Verônica Dutt-ross, da associação de defesa dos consumidores Pro Teste, avalia que todos os investidores podem se beneficiar das análises fornecidas pelas corretoras.

- O investidor iniciante que não tem muito tempo para acompanhar o mercado é o que mais precisa das dicas da corretora. Ele não deve segui-las cegamente, mas as análises são importantes para ele se informar sobre o que está acontecendo com as empresas - afirma.

Responsável por um recente estudo sobre os custos dos serviços oferecidos pelas corretoras, Verônica avalia que a quantidade de operações a realizar e o volume de dinheiro disponível é um bom parâmetro na hora de escolher um pacote de corretagem.

- A escolha depende do volume das operações. Para quem faz operações com valores maiores, é preferível uma corretora que cobre uma taxa de corretagem fixa. O investidor que opera com pequenas quantias deve preferir uma instituição que cobre um percentual sobre o valor - avalia.

Vem aí o primeiro IPO do ano com oferta para o varejo

A empresa Hypermarcas lança ações, mas os especialistas recomendam cautela para quem for investir

Mariana Segala - AE

Esponja de aço, adoçante, medicamentos, creme hidratante. Todos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e dentro de uma só empresa. Ainda há tempo para reservar as ações que a Hypermarcas – dona de grifes como Assolan, Zero Cal, Benegrip e Leite de Colônia – lança no mercado em sua oferta pública inicial, marcada para a próxima sexta-feira (18). Será o segundo IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) do ano, e o primeiro a assegurar parte dos papéis para pequenos investidores.

Frente às instabilidades do mercado, é difícil para os especialistas prever o resultado da operação. “É um bom teste”, afirma a gestora Daneilla Marques, da Mercatto Gestão de Recursos. “É preciso cautela”, diz. O professor de Finanças Ricardo Almeida, do Ibmec São Paulo, concorda. “É uma incógnita.”

A depender do setor de atuação da empresa, a oferta promete bons resultados de médio e longo prazo. Focada em produtos e marcas populares, a Hypermarcas tem a seu favor a expansão do poder de consumo da classe C. “É de se esperar que mesmo havendo problemas, como uma retração da economia, esses produtos continuem a ser demandados”, diz Almeida.

“A camada da população mais pobre do País aumentou seu gasto médio com alimentos, bebidas, produtos de higiene pessoal e limpeza (...) em aproximadamente 35% nos últimos cinco anos”, destaca a empresa no prospecto da operação. As 65 marcas comercializadas da Hypermarcas se concentram nos segmentos de limpeza, alimentos, beleza e higiene pessoal e medicamentos.

Cautela

O sucesso do oferta, no entanto, não depende só disso. “Ela chega num momento de teste da demanda por IPOs, do histórico da Hypermarcas e do preço – da habilidade dos bancos organizadores da oferta tirarem a temperatura do mercado”, diz o sócio da consultoria Beta Advisors, Rogério Betti.

O único IPO deste ano – da fabricante de fertilizantes Nutriplant – levantou menos recursos que o esperado e o preço previsto por ação, entre R$ 14 e R$ 18, acabou em R$ 10. Neste caso, só puderam comprar ações investidores considerados qualificados (com mais de R$ 300 mil aplicados). Estudo feito pela Economática, a pedido do AE Investimentos, mostra que o papel acumulava alta de 5% até o último dia 9.

Não teve a mesma sorte a quase totalidade das ações dos 64 IPOs do ano passado. Os papéis da disputada oferta da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), que atraiu nada menos que 253 mil pessoas físicas, amargavam perda de 20% até quarta-feira. O pior caso era o da Eztec, do setor da construção civil, com desvalorização de 65%.

Por isso, cautela é a recomendação dos especialistas. “Quem quiser colocar dinheiro, que não ponha muito”, aconselha Almeida. O mínimo a reservar, até amanhã dia 15, é de R$ 3 mil e o máximo, de R$ 300 mil. “Vou participar com pequenos valores”, conta Betti.

A cautela deve ser redobrada se o objetivo for vender as ações no curtíssimo prazo – ou flippar, no jargão financeiro. Ser bem-sucedido com essa estratégia depende do preço por ação, a ser estabelecido no dia 16. A empresa estima que o valor fique entre R$ 20,50 e R$ 24,50, mas isso varia de acordo com a busca pela oferta. “Temos um ambiente conturbado. O fluxo de investidores estrangeiros, que mais buscam os IPOs, é negativo neste ano. Será um teste da receptividade do mercado”, conclui Daniella.

Investidores dão adeus aos fundos e garantem: investir por conta própria compensa

Assumir o controle total sobre a gestão dos investimentos não é uma tarefa simples e exige disciplina, dizem os especialistas

Vinícius Pinheiro - AE

O servidor público Toni Ricardo Eugênio dos Santos, de 37 anos, foi um típico aplicador de fundos de investimento durante quatro anos. Até ouvir falar, por indicação de amigos, do Tesouro Direto – programa que permite a negociação de títulos públicos via internet – e perceber que a compra de papéis do governo sem intermediários lhe garantia uma melhor rentabilidade. “Foi só então que percebi o peso da taxa de administração dos fundos e decidi sacar todos os meus recursos”, afirma.

Assim como Santos, assumir as rédeas das aplicações e se livrar das instituições que realizam esse trabalho – e costumam cobrar caro por ele – tem sido a opção de um número crescente de investidores.

Especialistas atribuem o fenômeno à facilidade e ao maior acesso a informações sobre mercado financeiro proporcionadas pela rede mundial de computadores. Afinal, hoje é possível fazer praticamente qualquer tipo de aplicação e acompanhar o sobe-e-desce das aplicações sem sair de casa. A estabilidade econômica conquistada pelo País é outro fator que contribui para que as pessoas decidam buscar outras maneiras de administrar sua poupança.

Além dos custos elevados, Santos reclama da falta de transparência dos fundos. “Por mais que se tente, é difícil saber como eles aplicam os recursos.” Desde que deu adeus aos fundos, o servidor público diversificou sua carteira, sempre por conta própria. No mercado de ações, por exemplo, optou por investir em cotas do PIBB (Papéis de Índice Brasil Bovespa), fundo que acompanha a variação do IBrX-50, índice formado pelas 50 ações mais negociadas no mercado e que pode ser adquirido diretamente em corretoras.

Recentemente, o investidor revela ter voltado a recorrer aos bancos, mas não para investir em fundos. “Obtive uma taxa muito boa no CDB pós-fixado (que acompanha a variação dos juros), melhor até do que as condições do Tesouro Direto”, conta.

Precauções

Por mais que pareça tentador, assumir o controle total sobre a gestão dos investimentos não é uma tarefa simples. De acordo com o consultor financeiro Silvio Paixão, quem deseja encarar essa missão precisa cumprir ao menos três requisitos: ter tempo disponível, gostar do assunto e dispor de uma boa quantidade de recursos. “O interessado precisa saber se o dinheiro que ele vai economizar com as taxas dos fundos vai compensar o tempo que ele precisará investir nesse trabalho”, orienta.

Para o administrador de empresas Anderson Balestra, de 26 anos, o “divórcio” dos fundos valeu a pena. Em agosto do ano passado – no momento crítico da crise financeira internacional – ele decidiu se aventurar por conta própria no mercado de ações. E garante que não se arrependeu. “Tive resultados muito positivos, não só do lado financeiro, como também pelo conhecimento que adquiri nesse tempo”, afirma.

Balestra diz que ainda mantém uma pequena quantidade de dinheiro aplicada em fundos. Apesar de ter optado por entrar no mercado em um momento de grande oscilação e incerteza, ele afirma que a comparação entre as duas carteiras é favorável a ele.

O investidor confirma que montar a carteira de investimentos sem intermediários representa custos menores em relação à aplicação via fundos. Mas reconhece que essa economia não é gratuita. O administrador conta que gasta duas horas por dia na análise das ações e na leitura de notícias que podem balizar suas decisões de investimento.

Pensando nisso, o consultor Silvio Paixão sugere aos investidores uma comparação da capacidade de quem faz a gestão com os resultados apresentados. “Não basta olhar para a taxa de administração, pois um fundo com cobrança maior pode ter um retorno melhor graças ao trabalho do gestor especializado”, explica.

Não é à toa que o Brasil possui hoje quase 11 milhões de cotistas de fundos, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). “Para a maior parte das pessoas, não basta olhar os custos na hora de investir”, observa. Ele diz que a escolha da melhor forma de aplicar deve ser semelhante à de um plano de saúde. “Ou você faria uma operação no coração pelo sistema público de saúde só porque é mais barato?”, questiona.

sábado, 12 de abril de 2008

Imposto de Renda: quem negocia ações tem de declarar

Mariana Segala - AE
Aos 236 mil pequenos investidores que ingressaram na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no ano passado, um aviso: mesmo que seus rendimentos tributáveis não tenham atingido a soma de R$ 15.764, toda pessoa física que negociou ações na bolsa em 2007 precisa fazer a declaração do Imposto de Renda. E mais: o documento deve ser entregue, entre 3 de março e 30 de abril, somente em meio eletrônico. "Não pode ser no formulário de papel", reforça o coordenador editorial da consultoria tributária IOB, Edino Garcia.

Na declaração, o investidor deve informar cada venda de ações realizada durante o ano no campo "Demonstrativo de Renda Variável". Já as aquisições de papéis que não foram vendidos são informadas na "Declaração de Bens". "O que ficou como patrimônio é colocado nesta declaração e trata-se de mera informação. Não há incidência de imposto", explica Garcia.

Na negociação de ações, o Imposto de Renda incide sobre os ganhos líquidos e é pago mês a mês. A alíquota é de 15%. Assim, quem comprou cem ações por R$ 50 mil e as vendeu por R$ 60 mil será tributado em R$ 1,5 mil - ou 15% do lucro líquido de R$ 10 mil - no mês em que se desfez dos papéis. A responsabilidade de calcular o imposto devido e efetuar o pagamento por meio de um Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) cabe ao próprio investidor, e não à corretora que intermedeia o negócio na bolsa.

"O aplicador precisa buscar ao fim de cada mês todas as notas de corretagem", orienta o gerente comercial da corretora Ágora, Hélio Pio. Segundo ele, uma dúvida comum dos investidores é como calcular o lucro líquido das operações - a base da tributação. "É preciso descontar a corretagem", explica. Descontado o custo, reduz-se a base e, conseqüentemente, o imposto devido.

Está isento de pagar

imposto de renda sobre os ganhos com ações quem tiver vendido papéis em valores iguais ou menores que R$ 20 mil durante o mês. Estes pequenos aplicadores estão liberados de apurar a tributação, mas não de declarar as operações em março e abril. "É um incentivo para que o investidor comece a experimentar o mercado acionário", opina Pio. O benefício vale apenas para o mercado à vista.

Assim, quem consegue planejar a venda de ações mês a mês pode conseguir se livrar dos 15% de IR. A estratégia, no entanto, deve ser bem avaliada. "Ao tentar fugir do imposto, o investidor pode perder com a desvalorização das ações de um mês para o outro", alerta Pio. "Costumo dizer que é bom ter de pagar IR, pois é sinal de que está havendo ganho." Detalhe: quem ultrapassa o limite de isenção paga IR sobre todo o ganho do mês, e não apenas pelo que ficou além dos R$ 20 mil.

Retenção na fonte

Além do Imposto de Renda sobre o ganho líquido, as vendas de ações também são tributadas na fonte - ou seja, com recolhimento imediato - com uma alíquota de 0,005%. Isso ocorre a título de controle das operações pela Receita Federal. No entanto, o recolhimento do imposto é dispensado se, somado, ficar com valor abaixo de R$ 1 no mês. Assim, novamente é aplicado o limite de isenção de R$ 20 mil.

O recolhimento da chamada "antecipação" do Imposto de Renda fica a cargo das corretoras que intermedeiam as operações. Para quem tem de recolher imposto sobre os lucros, os valores da retenção na fonte podem ser deduzidos todos os meses.

No Day Trade, alíquota de IR é de 20%

Quem faz operações chamadas day trade - a compra e venda das mesmas ações no mesmo dia - está sujeito a uma tributação maior. Enquanto nas negociações convencionais a alíquota do Imposto de Renda apurado todos os meses pelo investidor é de 15%, no day trade ele é de 20% sobre os ganhos líquidos. Além disso, o day trade está sujeito a uma retenção de IR na fonte correspondente a 1% do lucro de cada operação. A apuração deste imposto é feita pelo intermediário da negociação - a corretora -, responsável por repassar o valor à Receita Federal.

Depois, os valores retidos na fonte podem ser deduzidos do imposto a pagar no fim do mês, conforme explica Edino Garcia, da consultoria tributária IOB. Por exemplo: alguém que tenha lucrado R$ 10 mil com operações day trade num mês, deve ao fisco R$ 2 mil, correspondentes à alíquota de 20%. Desse valor, o investidor pode subtrair tudo o que já foi pago de IR na forma de retenção na fonte. Assim, desembolsará um valor menor no seu Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf). "Para day trade não há isenção", completa Garcia.

O que é o quê

1) O que é operação day trade?

Operação ou conjugação de operações iniciadas e encerradas em um mesmo dia, com a mesma ação, em que a quantidade negociada tenha sido liquidada total ou parcialmente.

2) Qual a alíquota de incidência do Imposto de Renda nas operações de renda variável realizadas em bolsa?

Para operações nos mercados à vista, a termo, de opções e de futuros, 15%. Para operação day trade, 20%.

3) Todas as operações em bolsas estão sujeitas ao Imposto de Renda?

Não. Estão isentos do Imposto de Renda os ganhos líquidos das pessoas físicas em operações no mercado à vista de ações cujo valor de alienação seja igual ou inferior a R$ 20 mil por mês. Para operações day trade não há isenção.

Fonte: Receita Federal