quarta-feira, 16 de abril de 2008

Copom eleva, por unanimidade, a taxa de juros em 0,50 ponto percentual, para 11,75% ao ano

Globo Online

RIO - O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,50 ponto percentual, para 11,75% ao ano nesta quarta-feira. Esta é a primeira alta dos juros desde maio de 2005. Desde outubro do ano passado, a taxa estava inalterada. Analistas estavam divididos entre um aumento de 0,25 e 0,50 ponto percentual, mas a maioria apostava na elevação de 0,25 ponto.

A decisão foi tomada por unanimidade e não foi estabelecido viés para a taxa. O grupo também emitiu comunicado diferente do padrão dos anteriores, no qual sinaliza novas elevações do juro, embora informe que parte relevante desse ajuste foi determinada com a decisão de hoje.

"Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% ao ano, sem viés. O Comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como consequência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado", afirmou a nota do Copom. O próximo encontro do comitê ocorrerá nos dias 3 e 4 de junho.
Aumento na taxa mensal para o consumidor deve ser 0,55%

O aumento da Selic vai provocar uma elevação de 0,55% na taxa média mensal de juros paga na ponta do consumidor, segundo estimativa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Projeção da instituição indica que a taxa mensal vai passar de 7,28% para 7,32%. Em 12 meses, o custo vai chegar a 133,44%, contra 132,39% antes.

As entidades empresariais criticaram duramente o aumento dos juros. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro (PTB-PE), afirmou que viu com perplexidade a elevação de 0,5 ponto percentual da taxa Selic. Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, diz que a inflação está sob controle e que os fortes investimentos permitem que a oferta industrial atenda à evolução da demanda, o que não justificaria uma elevação de juros.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) diz que a decisão do Copom traz mais custos que benefícios ao país e questiona a eficácia da medida para segurar a alta do preço dos alimentos.

Alguns economistas se surpreenderam com a decisão do Copom. O economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, não via necessidade de aumentar a Selic neste momento, e acredita que possa haver desaceleração importante na atividade econômica.

- A decisão do Copom foi surpreendente e muito ruim. Ela pode reforçar o processo de desaceleração (da economia) - afirmou ele.

IPCA de março foi o mais alto desde 2005

Os últimos índices de inflação vieram acima das expectativas. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março foi o mais alto desde 2005 e o mercado, segundo a última pesquisa semanal do Banco Central, espera que no ano a inflação chegue a 4,66%, e em 2009, a 4,40%. A meta de inflação do governo (medida pelo IPCA) é de 4,5%, com margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Há tempos uma reunião não era precedida de intensa movimentação política - com ofensivas públicas do Ministério da Fazenda - e lobby, com ações das centrais sindicais, dos empresários e até da academia.

Tentanto evitar que o BC aumentasse a taxa de juros, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que uma expansão de 5% do PIB não representava pressão inflacionária e, para mostrar que outras medidas poderiam frear o consumo e evitar uma alta da inflação, anunciou o maior corte orçamentário da era Lula (R$ 19,4 bilhões).

Nestas ofensivas, contou com o apoio integral dos empresários, que chegaram a divulgar estudos e notas públicas rechaçando a alta dos juros e embasando com números a tese de que a inflação está concentrada, atualmente, em poucos itens da cesta de alimentos.

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