Valor Online
SÃO PAULO - O presidente do Itaú, Roberto Setubal, anunciou nesta sexta-feira uma série de mudanças na estrutura administrativa da organização, oficialmente destinadas a preparar o segundo maior banco privado para o esperado aumento da competição, mas que abrem terreno para mudanças mais profundas na cúpula do grupo.
Setubal informou aos funcionários a nomeação do executivo Geraldo Carbone para assumir o comando de todas as operações de varejo do Itaú, na posição de novo vice-presidente sênior, tarefa que o banqueiro acumulava com a presidência do Banco Itaú Holding Financeira. Com isso, Carbone assume as tarefas do dia-a-dia e Setubal tem mais tempo para dedicar-se à estratégia do banco, cada vez mais importante em um cenário de queda das margens, aumento do crédito e competição mais acirrada após a compra do Banco Real pelo Santander.
Não foi dito aos funcionários, mas a decisão abre espaço para uma transição mais ampla no grupo, que pode incluir dois movimentos. Roberto, 54 anos, fica agora mais livre para eventualmente substituir o pai, Olavo Egydio Setubal, no comando da holding do grupo, a Itaúsa, um dos maiores conglomerados do país que, além do banco, controla a Duratex, Itautec e Elekeiroz. Aos 85 anos, Olavo Setubal ainda vai diariamente à sede da Itaúsa. A própria família gostaria que se poupasse mais.
Ricardo Marino segue a trilha de Setubal
A mudança também abre espaço para a ascensão ao comando do banco de Ricardo Villela Marino, filho de Milu Villela, que participa do controle do banco. Marino, 33 anos, não teve a posição alterada na nova reformulação da estrutura do banco e mantém-se à frente dos negócios na América do Sul e da área de recursos humanos. Mas, entre os representantes da nova geração, ele é o candidato natural a suceder Roberto Setubal.
Parece que Ricardo Marino deve seguir a trilha de Roberto. Antes de assumir o comando do Itaú e enquanto ele era preparado para a tarefa, o banco foi comandado por executivos de alta confiança da família - José Carlos Moraes Abreu e Carlos da Câmara Pestana.
Carbone, 48 anos, pode desempenhar esse papel. Na nova estrutura, ele será o homem do varejo, cuidando da área de pessoa física, o segmento de negócios mais importante do banco, tendo sob comando de 35 mil a 40 mil pessoas, mais da metade das 65 mil do conglomerado financeiro. Carbone estava no conselho de administração desde que o BankBoston, que presidia, foi adquirido pelo Itaú, em 2006.
Carbone terá abaixo de si Ronald Anton Jongh, vice-presidente executivo responsável pela área comercial e figura vital em várias aquisições feitas pelo grupo; o também vice-presidente executivo João Jacob, que cuida da rede de agências; e a área de cobrança.
Sérgio Werlang passou de diretor a vice-presidente executivo, com as áreas de riscos, controladoria e contabilidade, controle societário e fiscal, tendo sob seu comando o diretor Silvio de Carvalho.
Algumas dessas áreas eram de responsabilidade de Henri Penchas, que se aposentou por atingir a idade limite de 62 para compor a diretoria do banco e vai assumir uma cadeira do conselho de administração. Werlang também cuidava anteriormente de toda a área de crédito. Agora, ficará com as questões ligadas à avaliação de risco, deixando a operação de crédito propriamente dita para cada área.
O vice-presidente executivo Antonio Carlos Barbosa de Oliveira, conhecido pelos amigos como Cao, que implantou o Itaú na Argentina e é o homem do Itaú na direção do Itaú BBA, vai cuidar também das áreas jurídicas, de auditoria, compliance, segurança corporativa e tecnologia da informação.
Alfredo Egydio Setubal, vice-presidente sênior responsável pela administração de recursos de terceiros e mercado de capitais, teve a área ampliada passando a incluir as atividades de seguros, tocadas por Osvaldo Nascimento. E o vice-presidente sênior Antonio Jacinto Matias continua à frente de marketing e sustentabilidade.
Os outros vice-presidentes executivos são José Francisco Canepa, responsável pela financeira Taií e parcerias, além do cartão; Marco Bonomi, de financiamento de veículos e imóveis; Rodolfo Fischer, da tesouraria; Ruy Vilela Moraes Abreu, que concentra a área de pessoa jurídica e anteriormente cuidava também da pessoa física de alta renda (cliente Personnalité), que passa agora para Carbone.
terça-feira, 22 de abril de 2008
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