segunda-feira, 14 de abril de 2008

Pague menos taxas no home broker e tenha mais dinheiro para investir

Vivian Pereira Nunes - O Globo Online

RIO - É necessário ter cautela em tempos de vacas mais magras no mercado acionário, em que a crise do subprime tem afetado as bolsas no mundo todo e, conseqüentemente os lucros dos investidores, incluindo os brasileiros. E isso não se refere apenas aos ativos negociados, mas também aos gastos envolvidos nos investimentos em ações pelo home broker, hoje o principal canal de negócios de pessoas físicas.

Neste sentido, são três os custos que podem ter grande impacto nas suas operações no home broker: a taxa de corretagem, um percentual ou valor fixo cobrado por operação, que alcança até 2% do valor investido, e as taxas de custódia e de manutenção, preços fixos que algumas corretoras cobram, que chegam a R$ 30 por mês. Eles precisam ser investigados e analisados antes do investidor decidir por qual corretora vai operar.

Para estipular a taxa de corretagem, várias instituições utilizam a Tabela Bovespa que estabelece cinco faixas de desconto, de acordo com o volume da operação. Esse é o caso da Itautrade, corretora do banco Itaú. Entretanto, algumas corretoras estipulam um percentual fixo que é cobrado pela transação. É o caso do Bradesco, que cobra 0,3% por operação. Em outras, o serviço tem um custo fixo, independentemente do valor. É o que acontece na Ágora, onde cada transação custa R$ 20,00 de taxa corretagem.

De acordo com a Tabela Bovespa, quem faz uma transação até R$ 135,07, compra ou venda, paga R$ 2,70 de taxa de corretagem à corretora. Se a operação movimentar entre R$ 135,08 e R$ 498,62, o valor pago é de 2%. Entre R$ 498,63 a R$ 1.514,69, paga-se 1,5% do valor mais R$ 2,49 pela corretagem. A operação entre R$ 1.514,70 e R$ 1.514,60 resulta numa taxa de corretagem de 1% mais R$ 10,06. Acima de R$ 3.029,39, o valor cobrado é de 0,50% mais R$ 25,21.
Professor aconselha a escolher corretora que não cobre taxa de custódia

O especialista em finanças pessoais Rafael Paschoareli, professor da FEA/USP, critica o fato de haver corretoras que ainda cobram a Tabela Bovespa, na qual a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estabelecia a taxa máxima de corretagem que poderia ser cobrada. A partir de 2000, com a resolução nº 2.690, do Conselho Monetário Nacional (CMN), as corretoras foram liberadas para combinar livremente com os clientes os valores a serem cobrados pelos serviços.

- A Tabela Bovespa foi criada como uma referência para a cobrança pelos serviços feitos pela mesa de operações da corretora, em que os custos eram muito maiores. Com o advento da internet e do homebroker, os custos para realizar as operações são marginais - avalia.

Paschoareli aconselha o investidor a procurar uma corretora que ofereça um pacote de acordo com o seu perfil. Isso inclui saber o número de operações que se deve fazer por mês, o volume disponível para cada uma delas e a quantidade de informações e serviços que você precisa e pode aproveitar.

- Se você paga a tabela Bovespa em uma corretora que oferece várias análises, mas não consulta esse material nem sabe usá-lo, está comprando camisa Hering da Daslu - compara.

O especialista lembra ainda que é preciso ficar bem atento às informações sobre custos passadas pelas corretoras, em especial no que diz respeito às promoções.

- A corretora pode dizer que a taxa de corretagem é gratuita a partir de 80 operações, sem explicitar que essas precisam ser feitas todas no mesmo mês - exemplifica.

Seu conselho para o pequeno investidor que não realiza muitas operações e não tem tempo ou conhecimento suficiente para ler as análises mais complexas é procurar corretoras que não cobrem taxas de custódia ou de manutenção.

- Para o investidor pequeno, a taxa de custódia é pesada. Se ele é pequeno e não usa os serviços adicionais, deve ir para uma corretora que não cobra isso - acrescenta.
Economista destaca que taxa de corretagem fixa é melhor para quem opera volumes maiores

Já a economista Verônica Dutt-ross, da associação de defesa dos consumidores Pro Teste, avalia que todos os investidores podem se beneficiar das análises fornecidas pelas corretoras.

- O investidor iniciante que não tem muito tempo para acompanhar o mercado é o que mais precisa das dicas da corretora. Ele não deve segui-las cegamente, mas as análises são importantes para ele se informar sobre o que está acontecendo com as empresas - afirma.

Responsável por um recente estudo sobre os custos dos serviços oferecidos pelas corretoras, Verônica avalia que a quantidade de operações a realizar e o volume de dinheiro disponível é um bom parâmetro na hora de escolher um pacote de corretagem.

- A escolha depende do volume das operações. Para quem faz operações com valores maiores, é preferível uma corretora que cobre uma taxa de corretagem fixa. O investidor que opera com pequenas quantias deve preferir uma instituição que cobre um percentual sobre o valor - avalia.

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