A empresa Hypermarcas lança ações, mas os especialistas recomendam cautela para quem for investir
Mariana Segala - AE
Esponja de aço, adoçante, medicamentos, creme hidratante. Todos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e dentro de uma só empresa. Ainda há tempo para reservar as ações que a Hypermarcas – dona de grifes como Assolan, Zero Cal, Benegrip e Leite de Colônia – lança no mercado em sua oferta pública inicial, marcada para a próxima sexta-feira (18). Será o segundo IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) do ano, e o primeiro a assegurar parte dos papéis para pequenos investidores.
Frente às instabilidades do mercado, é difícil para os especialistas prever o resultado da operação. “É um bom teste”, afirma a gestora Daneilla Marques, da Mercatto Gestão de Recursos. “É preciso cautela”, diz. O professor de Finanças Ricardo Almeida, do Ibmec São Paulo, concorda. “É uma incógnita.”
A depender do setor de atuação da empresa, a oferta promete bons resultados de médio e longo prazo. Focada em produtos e marcas populares, a Hypermarcas tem a seu favor a expansão do poder de consumo da classe C. “É de se esperar que mesmo havendo problemas, como uma retração da economia, esses produtos continuem a ser demandados”, diz Almeida.
“A camada da população mais pobre do País aumentou seu gasto médio com alimentos, bebidas, produtos de higiene pessoal e limpeza (...) em aproximadamente 35% nos últimos cinco anos”, destaca a empresa no prospecto da operação. As 65 marcas comercializadas da Hypermarcas se concentram nos segmentos de limpeza, alimentos, beleza e higiene pessoal e medicamentos.
Cautela
O sucesso do oferta, no entanto, não depende só disso. “Ela chega num momento de teste da demanda por IPOs, do histórico da Hypermarcas e do preço – da habilidade dos bancos organizadores da oferta tirarem a temperatura do mercado”, diz o sócio da consultoria Beta Advisors, Rogério Betti.
O único IPO deste ano – da fabricante de fertilizantes Nutriplant – levantou menos recursos que o esperado e o preço previsto por ação, entre R$ 14 e R$ 18, acabou em R$ 10. Neste caso, só puderam comprar ações investidores considerados qualificados (com mais de R$ 300 mil aplicados). Estudo feito pela Economática, a pedido do AE Investimentos, mostra que o papel acumulava alta de 5% até o último dia 9.
Não teve a mesma sorte a quase totalidade das ações dos 64 IPOs do ano passado. Os papéis da disputada oferta da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), que atraiu nada menos que 253 mil pessoas físicas, amargavam perda de 20% até quarta-feira. O pior caso era o da Eztec, do setor da construção civil, com desvalorização de 65%.
Por isso, cautela é a recomendação dos especialistas. “Quem quiser colocar dinheiro, que não ponha muito”, aconselha Almeida. O mínimo a reservar, até amanhã dia 15, é de R$ 3 mil e o máximo, de R$ 300 mil. “Vou participar com pequenos valores”, conta Betti.
A cautela deve ser redobrada se o objetivo for vender as ações no curtíssimo prazo – ou flippar, no jargão financeiro. Ser bem-sucedido com essa estratégia depende do preço por ação, a ser estabelecido no dia 16. A empresa estima que o valor fique entre R$ 20,50 e R$ 24,50, mas isso varia de acordo com a busca pela oferta. “Temos um ambiente conturbado. O fluxo de investidores estrangeiros, que mais buscam os IPOs, é negativo neste ano. Será um teste da receptividade do mercado”, conclui Daniella.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
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