sexta-feira, 21 de novembro de 2008

BB compra a Nossa Caixa

Rio - O Banco do Brasil anunciou ontem um dos negócios mais esperados no sistema financeiro brasileiro: a compra do banco Nossa Caixa por R$ 5,4 bilhões, em 18 parcelas, a partir de março de 2009. O acordo foi registrado em comunicado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Em valores atuais, as parcelas são de R$ 299,2 milhões, mas serão corrigidas pela variação da taxa básica de juros (Selic) do Banco Central, nas datas de pagamento.

As negociações entre o governo federal (dono do BB) e o governo do Estado de São Paulo (dono da Nossa Caixa) começaram no início do ano. A soma de ativos (bens, contratos, negócios, patrimônios) dos dois bancos deverá chegar a R$ 512 bilhões, segundo dados do Banco Central. Pelo acordo, o Banco do Brasil adquire o equivalente a 71% do capital social total da Nossa Caixa nas mãos do governo paulista.

“O valor da operação foi calculado com base em avaliações econômico-financeiras elaboradas por consultores contratados pelo Banco do Brasil, levando em consideração, entre outras metodologias, as perspectivas de rentabilidade futura e o fluxo de caixa descontado da Nossa Caixa”, informou em nota o Banco do Brasil.

A operação ainda está sujeita à aprovação da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e demais órgãos competentes. Em São Paulo, o BB possui 772 agências em 358 municípios. A Nossa Caixa detém 552 agências e 1.672 pontos de atendimento, em 645 municípios. Com a aquisição, o Banco do Brasil cresce para 1.324 agências paulistas.

Ao concretizar a compra da Nossa Caixa, o BB acrescenta R$ 53,4 bilhões em ativos, que, antes da operação, já totalizavam R$ 459 bilhões. O BB também planeja a compra do Banco de Brasília (BRB) e estaria negociando a aquisição de parte do Banco Votorantin. Com a incorporação, o BB mantém a segunda posição, atrás do Itaú-Unibanco, com cerca de R$ 575 bilhões. Ativos do Bradesco, eram de R$ 422,7 bilhões em setembro. A compra foi fechada em reunião, quarta-feira, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra, no Palácio do Planalto. Lula quer devolver a liderança ao BB.

BB nega redução de agências

Logo após o anúncio da fusão entre BB e Nossa Caixa, o presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, afirmou que não haverá fechamento de agências de nenhuma das duas instituições financeiras. “Manteremos o atendimento na forma e locais onde existe hoje. A sobreposição de agência do Banco do Brasil e da Nossa Caixa é mínima. Não existe plano de fechamento de agências, mas sim busca de sinergia, de melhoria de atendimento”,, garantiu Lima Neto. Segundo ele, a população não será prejudicada com o negócio.
Entretanto, o presidente do BB não afastou a possibilidade de demissão de funcionários após a aquisição. Segundo ele, “se vai ocorrer ou não, depende do processo de incorporação. No entanto, vemos uma baixa sobreposição das instituições”. Lima Neto explicou ainda que a expectativa é de que as duas marcas sigam funcionando simultaneamente no prazo de um ano. “Vamos assumir a Nossa Caixa a partir da autorização da Assembléia Legislativa e do Banco Central. A estimativa é de que as duas placas conviverão por um ano, até que venha a se juntar definitivamente”, afirmou.

COMPRA AUMENTA A COMPETIÇÃO

A aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil deixou satisfeitos o ministro da Fazenda, Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Os dois acreditam que o resultado final foi positivo para o mercado. Para Meirelles, a negociação foi positiva. "A aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil é uma iniciativa que vai contribuir para o fortalecimento do sistema financeiro nacional na atual conjuntura do mercado financeiro internacional", disse Meirelles em nota. Segundo o ministro, Guido Mantega, a compra equilibra a competição entre os grandes bancos brasileiros.“É positiva porque equilibra o jogo entre os grandes bancos e aumenta a competição. É bom que o Banco do Brasil e a Nossa Caixa sejam instituições fortes, que têm o poder de competir, de modo a beneficiar os correntistas que tomam crédito no mercado”, afirmou o ministro ao comentar a operação. Mantega disse ainda que a aquisição da Nossa Caixa fortalece os bancos públicos no momento de restrição de crédito. “É importante num momento atual de turbulência”, afirmou.

O Dia

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Montadoras nos EUA vão atrás de socorro; legisladores estão reticentes

SÃO PAULO - Representantes das três maiores montadoras dos Estados Unidos pediram ontem ajuda governamental emergencial para evitar um possível colapso. Após horas de um intenso debate, o discurso deles não parece ter convencido suficientemente os legisladores americanos para que se movimentam rapidamente pelo socorro.

A indústria automobilística está pressionando os congressistas dos EUA por um empréstimo de US$ 25 bilhões do pacote de US$ 700 bilhões aprovado para o setor financeiro. O senador republicano Michael Enzi, de Wyoming, avaliou, contudo, que não tem certeza de que a ajuda irá funcionar. "Existe pouca chance de que US$ 25 bilhões fará algo para promover o sucesso no longo prazo", observou.

O senador democrata Robert Casey discorda. "Não podemos perder centenas de empregos. "O que é uma recessão pode virar uma depressão se essas companhias falharem nos próximos meses", completou.

O setor automobilístico e alguns especialistas alegam que, sem o socorro federal, a General Motors (GM) poderia pedir proteção contra credores em questão de meses, seguida pela Ford e Chrysler. Essas três montadoras avaliam que podem ficar sem recursos até o fim do ano.

"Sem um suporte financeiro imediato, a liquidez da Chrysler pode ficar abaixo do nível necessário para sustentar as operações", declarou o presidente da empresa, Robert L. Nardelli.

Na audiência, os executivos das montadoras revelaram quanto precisariam se o pacote de empréstimo de US$ 25 bilhões passar pelo Congresso - de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões para a GM, US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões para a Ford e US$ 7 bilhões para a Chrysler.

As companhias disseram que poderiam usar os recursos para pagar seus funcionários, cobrir os custos operacionais correntes e desenvolvimento de produtos.

Ainda ontem, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, comentou durante audiência na Comissão de Serviços Financeiros da Câmara, que o colapso de uma das montadoras deveria ser evitado, mas notou que dar acesso a indústria aos US$ 700 bilhões não é a resposta. "Não vejo isso como o propósito do programa de socorro", comentou.

(Juliana Cardoso | Valor Online, com agências internacionais)

Maior cervejaria do mundo, ABInbev nasce com dívida de US$ 65 bilhões

A ABInBev, resultado da compra da Anheuser-Busch pela InBev, se tornou ontem a maior cervejaria do mundo, com o fechamento do negócio acordado em julho. A empresa, entretanto, já surge com uma dívida de US$ 65 bilhões.

Na tarde de ontem, a InBev, já assinando como ABInBev (sigla resultante da fusão dos nomes Anheuser-Busch e InBev), anunciou que havia sacado US$ 54,8 bilhões para pagar à família Busch pela aquisição da fabricante da Budweiser. O acordo fixou o valor de US$ 52 bilhões pela empresa (ou US$ 70 por ação). A diferença de US$ 2,8 bilhões se refere a tarifas bancárias e a US$ 1,3 bilhão proveniente da dívida da Anheuser-Busch que a InBev está adiantando o pagamento agora.

Pelo negócio, a ABInBev assume não só a dívida com os bancos envolvidos no negócio, mas também os débitos restantes da companhia americana, que somam US$ 6,9 bilhões (já descontado o adiantamento de US$ 1,3 bilhão). Os bancos que participam da operação são: Banco Santander, Bank of Tokyo-Mitsubishi, Barclays Capital, BNP Paribas, Deutsche Bank, Fortis, ING Bank, JP Morgan, Mizuho Corporate Bank, Royal Bank of Scotland, Bank of America, BayernLB/Banque LBLux, Dresdner Bank, Intesa Sanpaolo, KBC Bank, Rabobank International, Scotia Capital, Société Générale e The Toronto-Dominion Bank.

Os US$ 65 bilhões são o resultado do financiamento, dessa nova dívida e também dos US$ 3,3 bilhões em débitos que a InBev já carregava.

Agora, o principal plano dos novos controladores da Anheuser-Busch é reduzir o endividamento da cervejaria resultante da fusão com a Inbev. "O foco é desalavancar", disse um dos controladores da cervejaria ao Valor.

A dívida, segundo analistas da consultoria BernsteinResearch e a própria InBev, deverá ser paga em até cinco anos. A primeira parcela a vencer é o empréstimo ponte de US$ 9,8 bilhões, com prazo para pagamento de seis meses contando desde ontem. Para essa parcela, a InBev pretende emitir ações e vender ativos que considera "não fundamentais para sua atividade", como parques de diversões e fábricas de embalagens. "O mercado acredita que eles terão esse dinheiro dentro do prazo. Mas há quem duvide disso, já que a restrição de crédito mundial pode fazer diminuir o interesse de possíveis compradores para esses ativos", diz um analista do setor.

Carlos Brito, presidente da InBev e que agora também será o número 1 da nova cervejaria, rejeita essa idéia. "Para pagar esses US$ 7 bilhões, precisaremos vender somente dois ou três desses negócios que não têm a ver com nosso ramo de atuação", disse ele em um vídeo divulgado ontem. "Já temos pessoas interessadas nesses negócios, apesar da atual onda de restrição de crédito", afirmou.

Para sorte da ABInBev, outras parcelas do financiamento (confira tabela) têm um fator a favor da companhia: variação da taxa de juros Libor pré-fixadas em 3,875% ao ano. Isso garante segurança à boa parte da dívida, já que mesmo em casos extremos, a Libor variaria no máximo 10% para baixo ou para cima.

Mas nada será fácil: um acordo com os bancos deve fazer a ABInBev controlar mais do que nunca suas contas na ponta do lápis. Isso porque a cada seis meses a empresa passará por uma espécie de sabatina com agências de ratings. Nessas ocasiões, as instituições deverão avaliar como está a relação dívida líquida da cervejaria em relação ao seu lajida (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

No primeiro desses encontros, marcado para 30 de junho de 2009, a meta é que a dívida da companhia não ultrapasse 5,2 vezes o lajida. "Atualmente, calculamos que essa relação esteja em torno de 6 vezes. O pagamento do empréstimo-ponte deve facilitar o cumprimento desta primeira meta", diz um consultor da Bernstein. O acordo com os bancos, segundo divulgou a própria ABInBev, prevê que essa relação baixe para 3,5 vezes ao longo da maturidade da dívida e a 2 vezes no final dos cinco anos. Se essas metas não forem alcançadas, as instituições financeiras têm por direito exigir o pagamento de uma só vez de tudo o que a empresa deve, o que é conhecido no mercado como "deal break". "Nesse caso, a companhia quebraria", afirmou o especialista. Para evitar a situação extrema, a nova empresa vai seguir a cartilha de seu presidente, Carlos Brito: cortes de custos e rígida disciplina financeira. "Esses valores devem ser melhor assimilados pelos empregados americanos do que aconteceu nas operações européias", disse um acionista da InBev que preferiu não se identificar.

Fonte: Valor Economico

Coca-Cola bate à porta para vender refrigerante a R$ 1,89

Desde o início de novembro, uma Kombi percorre bairros populares do Recife vendendo um item que até agora só era encontrado em supermercados, padarias e mercearias: Coca-Cola. Por R$ 1,89, o cliente recebe um litro de refrigerante mais o vasilhame. Depois, quando quiser comprar mais, o consumidor leva a garrafa de vidro e paga R$ 1,39 para recebê-la cheia.

O veículo deveria ficar na rua por quatro horas, mas tem retornado à fábrica da Coca-Cola Guararapes, engarrafadora para Pernambuco e Paraíba, mais cedo. As 200 garrafas ofertadas têm acabado em metade do tempo.

A estratégia de vendas porta-a-porta da Coca-Cola tem sido um teste para a comercialização do produto entre os consumidores da classe C. Um programa de rádio voltado para as mulheres da própria Coca-Cola anuncia de segunda-feira a sábado os bairros pelos quais o carro passará, além de dar receitas e dicas de cuidados com a casa durante uma hora.

Até 20 de dezembro, a Kombi terá percorridos quatro bairros do Recife. Depois disso, passará por um período de análise pela empresa, que levará em conta os custos da operação, o tamanho do veículo utilizado e os melhores dias e horários para visitar os bairros. "Por enquanto, o que sabemos é que existe um caminho. Cada vez mais é preciso se reinventar para atender melhor a classe C", diz Catharina Ferreira, gerente de marketing da Coca-Cola Guararapes.

Iniciativas como essa devem ser ampliadas pela Coca-Cola no Brasil. A empresa criou um grupo de estudos voltado especificamente para os consumidores da classe C, que deve apresentar suas primeiras propostas de trabalho em meados de janeiro. Esse é um dos mercados que a Coca-Cola mais aposta para crescer no Brasil.

Ontem, a Guararapes inaugurou uma linha de produção que ampliará a capacidade de produção de uma de suas três fábricas no Nordeste em 40% ou em 200 milhões de litros, com investimentos de R$ 120 milhões. Outros R$ 130 milhões ainda serão aplicados até 2010 para dobrar a produção. Um dos focos é justamente a área de garrafas retornáveis, foco do programa de vendas porta-a-porta.

De acordo com Luís Delfim, presidente da Coca-Cola Guararapes, a empresa deve encerrar 2008 com um crescimento de 8% em suas vendas, número ligeiramente abaixo dos 9% registrados em 2007. Em 2009, porém, a crise deve reduzir esse ritmo para um aumento de 5%. É o menor dos últimos cinco anos, que mostraram média de 12%.

Mundialmente, a visão da Coca-Cola é a mesma. Ontem, Steve Buffington, diretor de investimentos para América Latina e Ásia da Coca-Cola, esteve em Pernambuco para ver o início das operações da nova linha de produção da Guararapes. Ele disse que a empresa não reduzirá seus investimentos. Isso, porém, não significa que a Coca-Cola passará ilesa aos solavancos econômicos. De acordo com Buffington, as vendas mundiais da empresa devem encerrar o ano com um crescimento de 5% em litros. Em 2008 aumentarão entre 1% e 2%. "Continuaremos crescendo porque acreditamos que a crise não será tão intensa para a América Latina e para a Ásia como tem sido para os Estados Unidos e para a Europa. Talvez o México sofra um pouco mais", explica.

Nos EUA, a Nestlé tem atacado a Coca-Cola por meio de anúncios que relatam os malefícios à saúde que os refrigerantes causam. Segundo Buffington, a Coca-Cola, que também faz água e sucos, não partirá para o contra-ataque. "Acreditamos na liberdade de escolha e que há momentos para se consumir tudo. No café da manhã, um suco cai bem. Depois do exercício, uma água. E por que não um refrigerante com pipoca?"

Fonte: Valor Online

terça-feira, 18 de novembro de 2008

InBev completa aquisição da norte-americana Anheuser-Busch

BRUXELAS - Apesar de toda a turbulência econômica, da queda nas ações e dos rumores de que não conseguiria o financiamento necessário, a InBev anunciou nesta terça-feira, 18, a conclusão da compra da cervejaria americana Anheuser-Busch, um negócio de US$ 52 bilhões. A nova empresa se torna a maior fabricante de cerveja do mundo, e passa a se chamar Anheuser-Busch InBev. O brasileiro Luiz Fernando Edmond, presidente da AmBev, é quem vai comandar as operações da companhia nos Estados Unidos.

A InBev pagou US$ 70 para cada ação da Anheuser. Os papéis desta companhia pararam de ser negociados no fechamento do pregão de segunda-feira, pondo fim aos 150 anos de independência do grupo.

A nova companhia terá ações negociadas na Bolsa de Bruxelas. O grupo terá mais de 200 marcas, incluindo Budweiser, Stella Artois e Beck.

A conclusão do acordo vem cinco meses após a InBev fazer sua primeira oferta, que foi rejeitada pela Anheuser como baixa demais. Esta procurou sua parceira mexicana, a Grupo Modelo, para discutir uma forma de se proteger da InBev e anunciou planos para cortar custos. Depois, no entanto, a fabricante norte-americana aceitou ser vendida, quando a InBev aumentou a oferta em US$ 5 por ação.

 

Fonte: Marcílio Souza, da Agência Estado