Rio - O Banco do Brasil anunciou ontem um dos negócios mais esperados no sistema financeiro brasileiro: a compra do banco Nossa Caixa por R$ 5,4 bilhões, em 18 parcelas, a partir de março de 2009. O acordo foi registrado em comunicado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Em valores atuais, as parcelas são de R$ 299,2 milhões, mas serão corrigidas pela variação da taxa básica de juros (Selic) do Banco Central, nas datas de pagamento.
As negociações entre o governo federal (dono do BB) e o governo do Estado de São Paulo (dono da Nossa Caixa) começaram no início do ano. A soma de ativos (bens, contratos, negócios, patrimônios) dos dois bancos deverá chegar a R$ 512 bilhões, segundo dados do Banco Central. Pelo acordo, o Banco do Brasil adquire o equivalente a 71% do capital social total da Nossa Caixa nas mãos do governo paulista.
“O valor da operação foi calculado com base em avaliações econômico-financeiras elaboradas por consultores contratados pelo Banco do Brasil, levando em consideração, entre outras metodologias, as perspectivas de rentabilidade futura e o fluxo de caixa descontado da Nossa Caixa”, informou em nota o Banco do Brasil.
A operação ainda está sujeita à aprovação da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e demais órgãos competentes. Em São Paulo, o BB possui 772 agências em 358 municípios. A Nossa Caixa detém 552 agências e 1.672 pontos de atendimento, em 645 municípios. Com a aquisição, o Banco do Brasil cresce para 1.324 agências paulistas.
Ao concretizar a compra da Nossa Caixa, o BB acrescenta R$ 53,4 bilhões em ativos, que, antes da operação, já totalizavam R$ 459 bilhões. O BB também planeja a compra do Banco de Brasília (BRB) e estaria negociando a aquisição de parte do Banco Votorantin. Com a incorporação, o BB mantém a segunda posição, atrás do Itaú-Unibanco, com cerca de R$ 575 bilhões. Ativos do Bradesco, eram de R$ 422,7 bilhões em setembro. A compra foi fechada em reunião, quarta-feira, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra, no Palácio do Planalto. Lula quer devolver a liderança ao BB.
BB nega redução de agências
Logo após o anúncio da fusão entre BB e Nossa Caixa, o presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, afirmou que não haverá fechamento de agências de nenhuma das duas instituições financeiras. “Manteremos o atendimento na forma e locais onde existe hoje. A sobreposição de agência do Banco do Brasil e da Nossa Caixa é mínima. Não existe plano de fechamento de agências, mas sim busca de sinergia, de melhoria de atendimento”,, garantiu Lima Neto. Segundo ele, a população não será prejudicada com o negócio.
Entretanto, o presidente do BB não afastou a possibilidade de demissão de funcionários após a aquisição. Segundo ele, “se vai ocorrer ou não, depende do processo de incorporação. No entanto, vemos uma baixa sobreposição das instituições”. Lima Neto explicou ainda que a expectativa é de que as duas marcas sigam funcionando simultaneamente no prazo de um ano. “Vamos assumir a Nossa Caixa a partir da autorização da Assembléia Legislativa e do Banco Central. A estimativa é de que as duas placas conviverão por um ano, até que venha a se juntar definitivamente”, afirmou.
COMPRA AUMENTA A COMPETIÇÃO
A aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil deixou satisfeitos o ministro da Fazenda, Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Os dois acreditam que o resultado final foi positivo para o mercado. Para Meirelles, a negociação foi positiva. "A aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil é uma iniciativa que vai contribuir para o fortalecimento do sistema financeiro nacional na atual conjuntura do mercado financeiro internacional", disse Meirelles em nota. Segundo o ministro, Guido Mantega, a compra equilibra a competição entre os grandes bancos brasileiros.“É positiva porque equilibra o jogo entre os grandes bancos e aumenta a competição. É bom que o Banco do Brasil e a Nossa Caixa sejam instituições fortes, que têm o poder de competir, de modo a beneficiar os correntistas que tomam crédito no mercado”, afirmou o ministro ao comentar a operação. Mantega disse ainda que a aquisição da Nossa Caixa fortalece os bancos públicos no momento de restrição de crédito. “É importante num momento atual de turbulência”, afirmou.
O Dia


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